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Conheça os fatos que explicam a desaceleração da economia brasileira

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Dois fatores explicam em grande parte a desaceleração da economia brasileira nos últimos meses, segundo analistas. O primeiro é o alto nível da taxa básica de juros (Selic) – atualmente 13,75% ao ano. As altas taxas de juros freiam o consumo das famílias e o investimento empresarial, tornando o crédito mais caro.
A segunda está relacionada com o peso da economia global. A atividade nos Estados Unidos e na Europa também mostra sinais de desaceleração, já que ambos, assim como o Brasil, enfrentam um cenário de aperto monetário.
A situação na Europa é agravada pela falta de gás para geração de energia como resultado da guerra na Ucrânia. A China também está crescendo menos por conta da política de covid zero e da crise no setor imobiliário.
Os indicadores antecedentes – ou seja, aqueles que preveem como a economia deve se comportar no futuro – também revelam um cenário de piora para o país nos próximos meses. A confiança dos empresários nos setores de serviços, comércio, indústria e construção caiu 3,3 pontos em outubro, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Por segmento, a queda foi maior no comércio e na indústria, ambos com queda de 3,8%.
“Há claramente uma queda na indústria. O comércio, na melhor das hipóteses, está andando de lado, e o setor de serviços está desacelerando, em particular em alojamento e alimentação para as famílias”, afirma José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do banco Fator.

Para o economista-chefe da C6, Felipe Salles, a desaceleração está dentro do padrão esperado. O banco espera que o PIB do terceiro trimestre varie entre 0% e 0,5%, com risco de um número “ligeiramente” negativo no quarto trimestre.

Apesar da queda no final do ano, o PIB deve permanecer em 2,3% em 2022, segundo estimativas do C6.

Cenário da economia brasileira

Salles diz que, se não houver surpresas no início de 2023, a economia poderá recuperar tração no segundo semestre do ano. Isso porque o banco central pode começar a cortar as taxas de juros no segundo trimestre. Portanto, as taxas de juros no mercado podem estar em um patamar inferior ao atual um pouco mais cedo.

No exterior, a tendência é que os Estados Unidos também tenham atingido o pico de seu aperto monetário até lá, e que a escassez de gás não seja um problema tão grave no verão europeu quanto no inverno. “O segundo semestre de 2023 ainda está longe, antes disso pode haver um grande choque. Mas parece razoável supor que a recuperação começará no terceiro trimestre do próximo ano.”

No entanto, a economista Natália Cotarelli, do Itaú Unibanco, alerta que quando o BC começar a cortar juros no segundo semestre de 2023, deve levar algum tempo para a atividade se recuperar. O resultado da política monetária é sempre verificado com certa demora em relação ao seu anúncio.

“A expectativa para 2023 é de um PIB fraco. Não falaria em recessão, mas a economia quase vai parar”, diz Natalia.

O Itaú projeta crescimento do PIB de 2,5% neste ano, com desvio de 0,3% no terceiro trimestre e estabilidade no quarto e 0,5% em 2023.

Fonte: Jornal O TEMPO

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