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Juros futuros voltam a subir com mercado à espera da PEC da Transição

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Após ter recuado ao longo da semana passada, o mercado local de juros retomou a trajetória de alta no pregão desta segunda-feira (5), com as atenções dos investidores voltadas para as perspectivas para a política fiscal e monetária do país.

Na noite de domingo (4), o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), divulgou a pauta de votação da semana com a previsão de análise da PEC da Transição para esta quarta-feira (7).

O texto protocolado autoriza o governo eleito a excluir as despesas com o programa Auxílio Brasil -que voltará a se chamar Bolsa Família- do teto de gastos. Pela proposta protocolada no Senado, a PEC da Transição terá impacto de R$ 198 bilhões.

O relator-geral do Orçamento de 2023, senador Marcelo Castro (MDB-PI), afirmou nesta segunda que o relator da PEC (proposta de emenda à Constituição) da Transição será o senador Alexandre Silveira (PSD-MG), e que a proposta deve ter duração de dois anos.

O temor dos agentes financeiros acerca da condução da política fiscal a partir de 2023 pelo governo Lula e dos impactos para a trajetória da dívida pública fez com que os juros futuros, que embutem as expectativas do mercado sobre os rumos para a taxa Selic, tenham voltado a registrar alta.

O contrato de juro futuro com vencimento em 2024 avançou de 13,82% no fechamento de sexta-feira (2) para 14% nesta segunda. Já o título para 2027 passou de 12,49% para 12,75%.

Em um cenário de maior aversão ao risco tanto no país como também em escala global, a Bolsa de Valores brasileira registrou forte queda acima de 2%, com o Ibovespa fechando o dia em baixa de 2,25%, negociado aos 109.401 pontos. Foi a maior queda desde 25 de novembro, quando o índice de ações caiu 2,55%, após encontro do ex-prefeito Fernando Haddad, principal cotado para o ministério da Fazenda, com banqueiros em evento da Febraban (Federação Brasileira de Bancos).

Já no câmbio, o dólar avançou 1,32% frente ao real, a R$ 5,2820 para venda, a maior alta também desde 25 de novembro.

“É uma semana chave para a política econômica brasileira. No plano fiscal, o Senado provavelmente votará a Emenda Constitucional que permite gastos acima do teto no ano que vem. Os participantes do mercado também vão acompanhar de perto os sinais do presidente eleito Lula sobre nomes para a equipe econômica”, apontam os analistas da XP Investimentos em relatório.

Segundo os analistas da Nord Research, com a percepção do mercado de uma política fiscal mais expansionista que pode comprometer a dinâmica das contas públicas, os investidores passaram a exigir mais prêmio para financiar o governo, com reflexo nas altas dos juros futuros.

Economista-chefe da Mirae Asset Wealth Management, Julio Hegedus Neto prevê que a votação no Senado na quarta deve vir com números menores de impacto fiscal em relação aos inicialmente apresentados, mais próximo de R$ 150 bilhões e com prazo de dois anos.

O economista acrescenta que, na formação da equipe econômica, as atenções estarão voltadas principalmente para a nomeação do ministro da Fazenda, com o nome do ex-prefeito Fernando Haddad como o mais forte nas apostas do mercado no momento.

Os analistas da XP dizem ainda que também estará no radar do mercado na quarta-feira a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central).

“É amplamente esperado que a taxa básica permaneça em 13,75%. Mas o comitê pode reforçar no comunicado pós-reunião a importância de uma política fiscal equilibrada para ajudar a manter as expectativas de inflação bem ancoradas”, dizem os analistas da XP.

No Relatório Focus publicado nesta segunda pelo BC, as estimativas dos analistas para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) aumentou, pela terceira semana seguida, de 5,02% para 5,08%.

Já a taxa Selic deve encerrar o próximo ano em 11,75%, contra 11,50% no levantamento anterior.

Bolsas sobem na Ásia com relaxamento nas restrições da política de ‘Covid Zero’ na China

No mercado global, as Bolsas dos Estados Unidos operam no campo negativo, com dados indicando uma economia que segue aquecida que aumentam os temores sobre um aperto monetário mais agressivo por parte do banco central americano (Federal Reserve).

O S&P 500 fechou em queda de 1,79% nesta segunda, enquanto o Dow Jones cedeu 1,40%, e o Nasdaq, 1,93%.

Números divulgados nesta segunda indicaram que a atividade do setor de serviços dos Estados Unidos acelerou inesperadamente em novembro, com uma recuperação do emprego.

O Instituto de Gestão do Fornecimento (ISM) disse nesta segunda-feira que seu PMI não manufatureiro aumentou para 56,5 no mês passado, de 54,4 em outubro, que foi a leitura mais baixa desde maio de 2020.

Economistas consultados pela Reuters previam que o indicador cairia para 53,1. Uma leitura acima de 50 indica expansão no setor de serviços, que responde por mais de dois terços da atividade econômica dos EUA.

A pesquisa se seguiu a dados da última sexta-feira mostrando um crescimento de empregos e salários mais forte do que o esperado em novembro. Os dados recentes representam um contraponto ao objetivo do Fed de reduzir o ritmo de ajustes na reunião da semana que vem, aponta o economista-chefe da Mirae Asset.

Segundo ele, ainda predomina no mercado a opinião de que o novo aumento do Fed deve desacelerar a 0,5 ponto percentual, ante as últimas quatro altas de 0,75 ponto, mas com a taxa se mantendo no patamar de 5,0% por um tempo “suficientemente adequado”. Após a última alta no início de novembro, a taxas de juros nos Estados Unidos está em um patamar entre 3,75% e 4% ao ano.

Hegedus Neto lembra ainda que, a partir de hoje começa a valer o teto de US$ 60 para o petróleo vendido pela Rússia, o que deve resultar na ameaça no fornecimento aos países que endossarem esta medida.
Na Europa, o índice de ações Euro Stoxx 50 recuou 0,54%, com quedas de 0,67% do CAC-40, de Paris, e de 0,56% do DAX, de Franfurkt.

Já nas Bolsas da Ásia, o dia foi de alta para as ações, com algum alívio do mercado na esteira da reabertura da economia chinesa, com o governo do país relaxando medidas de restrição da política de covid zero após protestos da população.

O Hang Seng, índice acionário de Hong Kong, teve alta de 4,5%, enquanto o CSI 300, da China, subiu 1,96%.

(Lucas Bombana/Folhapress)

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