Nos próximos anos, muitos empresários vão descobrir que não perderão dinheiro por pagar mais imposto, mas por não entenderem como usar corretamente os créditos tributários da CBS e do IBS. A Reforma Tributária trouxe a promessa de neutralidade, mas ela só se concretiza para quem sabe operar o sistema. Crédito não aproveitado é custo escondido. Crédito mal apropriado vira autuação. Crédito acumulado sem estratégia vira caixa travado. Vale observar: a nova lógica não perdoa improvisos. O empresário que trata crédito como detalhe contábil corre o risco de financiar o Estado sem perceber. Este texto nasce exatamente para esclarecer onde estão os principais vazamentos de valor e como evitá-los de forma técnica, prudente e consciente.
O novo papel dos créditos no sistema CBS e IBS
A CBS e o IBS mudaram a lógica histórica da tributação sobre consumo no Brasil. Saímos de um modelo fragmentado, cheio de exceções e cumulatividade disfarçada, para um sistema que promete crédito amplo, financeiro e transparente. Em tese, tudo aquilo que for custo ou despesa vinculada à atividade econômica gera crédito.
Na prática, porém, o crédito deixou de ser um simples lançamento contábil automático. Ele passou a depender de qualidade documental, correta classificação da operação e aderência ao fato gerador. O sistema será tecnológico, cruzado e quase instantâneo. Quem errar não será chamado para explicar depois, será glosado antes.
Vejo empresas com excelente faturamento perdendo margem porque compram bem, vendem bem, mas não estruturam o crédito desde a origem. Nota fiscal errada, fornecedor desenquadrado ou contrato mal redigido já são suficientes para comprometer o aproveitamento integral.
Onde as empresas mais perdem créditos sem perceber
A maior perda não está no erro grosseiro, mas no detalhe ignorado. Muitos empresários acreditam que todo imposto destacado gera crédito automático. Não é assim. O crédito da CBS e do IBS exige vínculo com a atividade econômica, rastreabilidade e coerência operacional.
Outro ponto sensível é o timing do crédito. Crédito apropriado fora do período correto pode até existir, mas perde eficiência financeira. Em um sistema de fluxo de caixa apertado, isso faz diferença real. Além disso, operações mistas — aquelas que envolvem atividades tributadas, isentas ou com regimes diferenciados — exigem segregação clara. Sem isso, o crédito vira passivo.
Fique de olho também nos contratos. A forma como serviços e fornecimentos são descritos influencia diretamente a natureza do crédito. Não é exagero dizer que, na nova tributação, o jurídico e o fiscal precisam conversar desde o início da operação.
Estratégia para aproveitar 100% dos créditos com segurança
Aproveitar 100% dos créditos não é agressividade fiscal. É organização. Começa com o mapeamento completo da cadeia de compras, passa pela revisão dos contratos e termina na governança tributária.
Defendo uma postura simples: tratar crédito como ativo estratégico. Ele precisa ser previsto, acompanhado e validado. Sistemas integrados ajudam, mas não substituem o olhar técnico. O crédito nasce antes da nota fiscal. Nasce na decisão de compra, na escolha do fornecedor e na forma como a operação é estruturada.
Também é fundamental alinhar o crédito à realidade do caixa. Crédito acumulado sem planejamento pode ser tão prejudicial quanto imposto pago a maior. O equilíbrio está em usar o crédito como instrumento de eficiência, não como aposta.
Como já advertia Aristóteles, “a virtude está no meio”. No campo tributário, isso significa nem pagar além do devido, nem correr riscos desnecessários.
Conclusão
A CBS e o IBS não punem quem produz, mas expõem quem administra mal. O crédito tributário deixou de ser um benefício lateral e passou a ser parte central da saúde financeira das empresas. Quem domina essa lógica preserva margem, melhora o caixa e ganha previsibilidade. Quem ignora, paga silenciosamente.
Se existe uma lição clara neste novo sistema, é esta: crédito não é favor do Estado, é direito do contribuinte bem organizado. E direito que não é exercido se transforma em perda.
Para compreender como essa lógica se conecta a uma visão mais ampla de organização fiscal e tomada de decisão empresarial, recomendo a leitura do artigo sobre: CBS e IBS: Entenda os Novos Tributos que Acabam de Entrar em Vigor.
Se a sua empresa ainda não estruturou o aproveitamento dos créditos da CBS e do IBS, talvez este seja o momento de conversar com quem trata tributação como estratégia, e não como improviso. Nossa equipe está à disposição para uma análise técnica e responsável. Entre em contato.
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