Ratzinger
Fé e Razão
Um itinerário intelectual pelo pensamento de J. Ratzinger e outros pensadores
Por que Ratzinger, e por que agora
Jurista, filósofo, teólogo e psicanalista — e agora, às vésperas de completar 67 anos, no mês de São José, este espaço nasce de um retorno. Um retorno à teologia que os compromissos científicos e profissionais foram, por décadas, empurrando para a periferia da vida — sem nunca a apagar de todo.
Num oceano de possibilidades, a escolha recaiu sobre Ratzinger. Não foi inteiramente racional. Oscilei entre Hans Urs von Balthasar e o Cardeal Gianfranco Ravasi — opção difícil, porque ambos exigiriam uma dedicação que o tempo, ainda dividido com a carreira jurídica, não permite. Mas Ratzinger estava lá, como uma presença que se impõe sem anunciar-se.
Não é coincidência que assim seja. Em certa tarde de Natal, em Roma, por mediação do Cardeal Fisher — meu interlocutor no Vaticano —, eu o vi na sacristia da Basílica de São Pedro. Como não lembrar daquele homem franzino, sóbrio, tímido, de sorriso fechado? Já o conhecia antes pelo seu irmão Georg, no livro Meu Irmão, o Papa. Não foi difícil, ao revisitar a teologia, pensar nele.
Este espaço não é um blog de apologética, nem um manual catequético. É um palco de ideias — aberto a todos os homens e mulheres de boa vontade, crentes ou não, católicos ou protestantes, filósofos ou simples leitores que sentem que há algo de sério a pensar na relação entre fé e razão no mundo contemporâneo.
O nome Ratzinger — Fé e Razão tem razão de ser e permanecerá como título desta escola virtual. Mas este espaço não se fechará sobre si mesmo: ao longo do tempo receberá outros teólogos, outros filósofos, outros títulos — porque o pensamento de Ratzinger é uma porta, não uma parede.
Não seguirei uma ordem cronológica na sequência das publicações, embora cada tema seja tratado no seu devido capítulo, com a profundidade que lhe é própria.
Devo confessar que a teóloga australiana Tracey Rowland — autora de uma das mais lúcidas introduções ao pensamento ratzingeriano — foi, de certa forma, quem me empurrou definitivamente para este projeto. Ler Rowland sobre Ratzinger é compreender que ainda há muito a percorrer.
Criar uma ruptura entre o teólogo e o pontífice seria desmerecê-lo. O homem de Ratisbona que tocava piano, que de inflexível se tornou amável e humilde, que uniu sua consciência à vontade de Deus — esse é o papa. Esse é o José.Juvenil Alves · Nota de abertura
Quatro pilares, uma conversa aberta
As publicações não seguem uma ordem numerada nem criam dependência entre si. Cada texto pode ser lido de forma independente. O que os une é a vocação comum: pensar com seriedade, sem pressa, sem simplificações.
O Logos e a Lei
A relação entre o Direito Natural e a teologia ratzingeriana. Onde a razão jurídica e a razão teológica se encontram — e onde divergem.
Fé e Razão
O debate com Habermas, o discurso no Parlamento Alemão, o discurso de Ratisbona. A grande questão do nosso tempo: pode a razão prescindir da fé?
QuinzenalA Pessoa de Jesus e Maria de Nazaré
A trilogia Jesus de Nazaré sob a ótica histórica, exegética e teológica. E Maria — figura central no pensamento ratzingeriano, ícone da fé que não abdica da razão.
Crônicas e Memórias
Reflexões pessoais, episódios da vida de Bento XVI, lições colhidas no silêncio — e, de quando em quando, o testemunho de quem o viu de perto.
Juvenil Alves Ferreira Filho
Advogado, CEO do Grupo Nexio e de Juvenil Alves Advogados, com atuação em direito tributário, empresarial e eleitoral. Filósofo de formação com cinquenta anos de estudo da filosofia tomista. Teólogo. Psicanalista. Escritor. Natural de Abaeté, Minas Gerais. Avô do Noah, da Olívia, da Ryley e da Liv.
Sou vaticanista por convicção intelectual, e acredito que separar o teólogo do pontífice — por mais conturbada que tenha sido sua passagem pela cátedra de Pedro — seria furtar ao homem a inteireza de sua biografia. O pontificado de Bento XVI foi, a meu ver, a mais culta passagem pelo trono de Pedro em toda a história moderna da Igreja.
Este espaço nasce no mês de São José, em março de 2026, às vésperas dos meus 67 anos, como um ato de fidelidade a uma vida intelectual que nunca se encerrou — apenas esperou o momento certo para aprofundar-se.
Este palco é aberto a todos os homens e mulheres de boa vontade
Católicos, protestantes, filósofos, juristas, estudiosos de todo perfil. O único requisito é a seriedade intelectual e o respeito mútuo. Cadastre-se para receber as publicações diretamente no seu e-mail.