Você está preparado para o ensaio geral que antecede a maior transformação tributária da história do Brasil? A partir de 2026, empresas de todo o país entrarão em um período de teste que, embora não gere recolhimento efetivo, exigirá emissão de documentos fiscais com os novos tributos. Ignorar essa fase é como subir ao palco sem ter ensaiado, o risco de tropeçar diante do público é enorme. O tema merece atenção redobrada de empresários e contadores que desejam atravessar essa transição com segurança.
O que é o período de teste e por que ele importa
O legislador, ciente da complexidade do novo sistema, instituiu uma fase de transição pedagógica. Entre 2026 e 2027, as empresas deverão calcular e destacar nos documentos fiscais os valores correspondentes à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), ainda que esses tributos não sejam efetivamente recolhidos nas alíquotas definitivas.
O objetivo é duplo. Primeiro, permitir que o Fisco avalie a aderência dos sistemas ao novo modelo. Segundo, oferecer às empresas um ambiente controlado para identificar falhas antes que elas gerem autuações reais. É, portanto, um período de aprendizado mútuo.
Contudo, a natureza experimental não significa ausência de consequências. Erros na emissão de documentos fiscais podem gerar inconsistências cadastrais, dificuldades em auditorias futuras e, sobretudo, revelar fragilidades operacionais que precisarão ser corrigidas às pressas quando o sistema entrar em vigor pleno.
Os desafios práticos que sua empresa enfrentará
Adequação dos sistemas de gestão
O primeiro obstáculo é tecnológico. Softwares de emissão de notas fiscais, ERPs e sistemas de gestão comercial precisarão ser atualizados para contemplar os novos campos obrigatórios. Não se trata apenas de incluir uma linha adicional no documento — é necessário que o sistema calcule corretamente as alíquotas, aplique as regras de não cumulatividade e dialogue com os portais da administração tributária.
Vale observar que muitos fornecedores de software ainda estão desenvolvendo essas atualizações. Aguardar passivamente pode resultar em correria nos últimos meses de 2025, quando a demanda por suporte técnico estará no auge.
Capacitação das equipes
Sistemas não operam sozinhos. Contadores, analistas fiscais e até mesmo a equipe comercial precisarão compreender a lógica do novo modelo. A distinção entre CBS e IBS, as regras de creditamento, o tratamento diferenciado para determinados setores, tudo isso demanda estudo e treinamento.
Tenho observado, em minha prática, que empresas que investem em capacitação antecipada atravessam reformas legislativas com muito menos sobressaltos. O conhecimento é o melhor escudo contra a insegurança.
Revisão de contratos e preços
A mudança na estrutura tributária afetará a formação de preços. Contratos de longo prazo, especialmente aqueles com cláusulas de reajuste indexadas a tributos, precisarão ser revisados. Fornecedores e clientes terão expectativas distintas sobre como a carga tributária será distribuída.
Antecipar essas discussões durante o período de teste permite negociações mais equilibradas. Deixar para o momento da vigência plena é convidar o conflito para a mesa.
Estratégias para atravessar o período de teste com segurança
Diagnóstico tributário interno
Antes de qualquer ação externa, olhe para dentro. Mapeie todas as operações da empresa, identifique quais estarão sujeitas ao novo regime e avalie o impacto estimado. Esse diagnóstico servirá de base para todas as decisões subsequentes.
Cronograma de implementação
Estabeleça datas claras para cada etapa da adequação. Quando o software será atualizado? Quando a equipe será treinada? Quando os primeiros testes de emissão serão realizados? Um cronograma bem definido transforma uma tarefa monumental em passos gerenciáveis.
Canal de comunicação com a contabilidade
Se sua empresa terceiriza a contabilidade, intensifique o diálogo. Certifique-se de que o escritório contábil também está se preparando e alinhe expectativas sobre responsabilidades durante a transição.
Acompanhamento da regulamentação
A Reforma Tributária foi aprovada em suas linhas gerais, mas muitos detalhes ainda dependem de regulamentação. Fique de olho nas instruções normativas, portarias e resoluções que serão publicadas nos próximos meses. Elas trarão as minúcias operacionais que farão diferença no dia a dia.
Uma reflexão sobre prudência e oportunidade
Disse certa vez o sábio Salomão que há tempo para todo propósito debaixo do céu. O período de teste é, precisamente, o tempo de preparar. Não é momento de lamentar a complexidade do novo sistema nem de resistir à mudança. É hora de agir com a prudência que caracteriza o bom gestor.
Empresas que encaram a transição como oportunidade de modernização — e não apenas como obrigação burocrática — colherão frutos duradouros. A revisão de processos, a atualização tecnológica e a capacitação de pessoas são investimentos que transcendem a reforma tributária. Eles fortalecem a estrutura do negócio para qualquer desafio futuro.
Conclusão
O período de teste da Reforma Tributária não é um favor do legislador, é uma exigência que demanda preparo. Atualizar sistemas, treinar equipes, revisar contratos e acompanhar a regulamentação são tarefas que não podem ser adiadas. A empresa que se antecipa chega à vigência plena do novo modelo com segurança; a que se omite, com angústia.
Se você ainda não iniciou esse trabalho, comece agora. Converse com seu contador, consulte seu fornecedor de software e, se necessário, busque orientação especializada. O tempo do ensaio é curto, e o espetáculo está prestes a começar.
Para compreender o contexto mais amplo dessa transição e avaliar se as medidas de flexibilização representam verdadeiro alívio ou riscos ocultos, recomendo a leitura do artigo Flexibilização do IBS/CBS em janeiro de 2026: alívio ou armadilha disfarçada?.
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