Seu sistema está pronto para conversar com o Fisco em tempo real? A pergunta pode parecer técnica demais, mas esconde uma urgência que muitos empresários ainda subestimam. A reforma tributária não é apenas uma mudança de alíquotas, é uma revolução na forma como as empresas se relacionam com a administração pública. E essa revolução começa dentro de casa, nos cadastros, nos parâmetros, nas configurações que poucos olham com atenção.
O que é parametrização tributária e por que ela importa agora
Parametrizar um sistema significa configurá-lo para que ele reconheça, calcule e aplique corretamente as regras fiscais sobre cada operação. Parece simples, mas na prática envolve dezenas de variáveis: natureza da operação, tipo de produto ou serviço, localização do destinatário, regime tributário da empresa, benefícios fiscais aplicáveis e, agora, as novas figuras do IBS e da CBS.
Durante décadas, convivemos com um sistema tributário que, apesar de caótico, era conhecido. As empresas aprenderam — muitas vezes a duras penas — a navegar entre ICMS, ISS, PIS, Cofins, IPI e suas infinitas exceções. Os sistemas foram moldados para essa realidade. Funcionavam, ainda que com remendos.
A partir de 2026, porém, começa o período de transição. Não se trata de substituir um imposto por outro da noite para o dia. Teremos anos de convivência entre o velho e o novo, o que exigirá dos sistemas uma capacidade de adaptação que muitos simplesmente não possuem.
Vale observar: não basta atualizar o software. É preciso repensar a estrutura de dados da empresa.
Os riscos de postergar a preparação
Há um equívoco comum entre gestores: acreditar que a tecnologia resolverá tudo no momento certo. Confiam que os fornecedores de ERP entregarão as atualizações necessárias e que bastará apertar um botão para migrar ao novo modelo.
A experiência me ensinou o contrário. Em quarenta anos de advocacia tributária, vi empresas sólidas tropeçarem em obrigações acessórias, autuações milionárias por erros de cadastro, créditos perdidos por classificação inadequada de produtos. E esses problemas ocorreram dentro de um sistema que já conhecíamos. Imagine o que pode acontecer em uma transição dessa magnitude.
O split payment, por exemplo, que será obrigatório em diversas operações, exige que o sistema identifique automaticamente a parcela do tributo a ser retida no momento do pagamento. Isso demanda integração entre módulos fiscais, financeiros e bancários. Quantas empresas têm essa integração funcionando hoje?
Outro ponto sensível é o cadastro de produtos e serviços. A nova classificação para fins de IBS e CBS não seguirá necessariamente a lógica atual da NCM ou da lista de serviços do ISS. Haverá uma curva de aprendizado, e quem começar tarde pagará o preço da pressa.
Estratégias práticas para a parametrização
O primeiro passo é realizar um diagnóstico honesto da situação atual. Isso significa mapear todos os produtos e serviços comercializados, verificar a consistência dos cadastros fiscais, identificar operações com tratamento tributário diferenciado e avaliar a capacidade do sistema de absorver novas regras.
Em seguida, é fundamental estabelecer um diálogo próximo com o fornecedor do software. Pergunte diretamente: qual é o cronograma de atualizações para a reforma tributária? Haverá módulos específicos para o período de transição? Como será tratada a convivência entre os tributos antigos e os novos?
Não se contente com promessas vagas. Exija um plano documentado.
Paralelamente, invista na capacitação da equipe. Contadores, analistas fiscais e gestores financeiros precisam compreender não apenas a mecânica dos novos tributos, mas também a lógica que os orienta. A reforma tributária brasileira adotou o modelo de IVA dual, inspirado em experiências internacionais, mas com características próprias. Conhecer esse contexto ajuda a antecipar problemas e a identificar oportunidades.
Por fim, considere a contratação de uma consultoria tributária especializada para acompanhar o processo. Não como um custo, mas como um investimento em segurança. A parametrização mal feita gera passivos que custam muito mais do que qualquer honorário.
Uma reflexão sobre prudência e tempo
Há um provérbio mineiro que diz: “Quem não tem pressa, chega primeiro.” Pode parecer paradoxo, mas carrega sabedoria profunda. A pressa de última hora é sempre mais cara e mais arriscada do que a preparação antecipada.
A reforma tributária foi promulgada em dezembro de 2023. Desde então, temos acompanhado a regulamentação em ondas sucessivas. Cada lei complementar, cada decreto, cada instrução normativa adiciona detalhes ao mosaico. Quem espera o quadro completo para começar a agir talvez descubra que o tempo se esgotou.
Fique de olho: o Fisco também está se preparando. Os sistemas de fiscalização serão cada vez mais automatizados, cruzando dados em tempo real. A assimetria de informação que, no passado, dava alguma margem de manobra às empresas, tende a desaparecer. O contribuinte que não estiver com a casa em ordem será identificado rapidamente.
Como dizia Sêneca, “não é que tenhamos pouco tempo, mas que desperdiçamos muito.” O tempo para parametrizar seu sistema é agora.
Conclusão
A parametrização tributária para 2026 não é tarefa exclusiva do setor de TI. É um projeto estratégico que envolve todas as áreas da empresa e exige liderança comprometida. Os sistemas precisam ser configurados para lidar com a complexidade do período de transição, e isso demanda planejamento, investimento e acompanhamento contínuo.
Minha recomendação é clara: comece hoje. Faça o diagnóstico, converse com seu fornecedor de software, capacite sua equipe e busque orientação especializada. A reforma tributária é uma oportunidade de reorganizar processos, eliminar ineficiências e posicionar sua empresa de forma competitiva no novo cenário fiscal brasileiro.
Para compreender o contexto mais amplo das mudanças que se aproximam, recomendo a leitura do artigo: Reforma Tributária: O Que Muda nas Notas Fiscais em Janeiro de 2026 e Por Que Sua Empresa Precisa Agir Agora.
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