Em mais de 40 anos atuando no tributário, nunca vi uma armadilha tão bem escondida. A Reforma Tributária promete simplificação, mas criou uma bomba-relógio na formação de preços que pode destruir margens de lucro a partir de 2027.
Não estou exagerando. Estou alertando.
O Que Está Acontecendo, E Por Que Ninguém Está Falando Claramente
A Emenda Constitucional 132/2023 e a Lei Complementar 214/2025 trouxeram o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) para substituir, gradualmente, o ICMS, ISS, PIS, Cofins e IPI.
O discurso oficial é bonito: neutralidade, transparência, simplificação.
A realidade é outra.
A partir de 2027, sua empresa vai precisar conviver com dois sistemas tributários ao mesmo tempo. Tributos antigos calculados “por dentro” (embutidos no preço) e tributos novos calculados “por fora” (destacados separadamente). E aqui começa o problema que poucos tributaristas estão explicando de forma prática para o empresário.
A Armadilha do “Tributo Sobre Tributo”
Vou ser direto: por omissão legislativa, o IBS e a CBS — que foram concebidos para incidir “por fora” — acabarão compondo a base de cálculo “por dentro” do ICMS.
Em outras palavras: você vai pagar imposto sobre imposto.
Já há manifestações de Fiscos estaduais nesse sentido. Pernambuco, Distrito Federal e São Paulo já emitiram consultas confirmando esse entendimento. Existe um projeto de lei complementar (PLP 16/2025) tentando corrigir essa distorção, mas até agora, sem perspectiva clara de aprovação.
O que isso significa na prática? Significa que a carga tributária real durante a transição será maior do que a prometida. Significa que sua precificação atual está errada. Significa que, se você não recalcular tudo, vai ou perder margem ou perder competitividade.
Por Que Isso Importa Para a Sua Empresa
Eu já administrei cerca de 10 mil cases tributários ao longo da minha carreira. Recuperei mais de 1 bilhão de reais para contribuintes. E posso afirmar com segurança: o maior erro que um empresário comete é tratar questão tributária como “problema do contador”.
A formação de preços é decisão estratégica. E na transição da Reforma Tributária, ela se torna uma questão de sobrevivência.
Veja o que vai acontecer:
Entre 2026 e 2027, sua empresa terá que lidar com cinco tributos sobre consumo simultaneamente: ICMS, ISS, PIS, Cofins, IPI — mais CBS e IBS em destaque obrigatório.
A partir de 2027, o PIS e a Cofins desaparecem, mas ICMS e ISS continuam até 2032, convivendo com IBS e CBS.
Resultado: uma metodologia de precificação híbrida, complexa, não linear, que a maioria dos sistemas de gestão empresarial não está preparada para processar.
O Cálculo Que Ninguém Está Fazendo Direito
Deixa eu traduzir em números simples.
Hoje, um produto vendido por R$ 100,00 tem tributos embutidos — você deduz o PIS/Cofins e o ICMS para chegar ao custo real.
Em 2027, a CBS não estará embutida no preço. Ela será destacada, à parte. Porém, o ICMS continuará sendo calculado “por dentro” e, segundo o entendimento dos Fiscos estaduais, o valor da CBS e do IBS entrará na base de cálculo do ICMS.
Isso cria um efeito cascata. Um cálculo circular. Um aumento de carga que não aparece na alíquota nominal, mas aparece no bolso do contribuinte.
Se você não entender essa dinâmica, vai precificar errado. E precificar errado significa uma de duas coisas: ou você perde margem (e sangra até fechar), ou você cobra mais caro que o concorrente (e perde mercado).
O Ponto Cego Que Precisa Ser Iluminado
Quando participo de seminários e palestras sobre a Reforma Tributária, percebo que a maioria das análises foca nas alíquotas. “Vai subir ou vai descer?” Essa é a pergunta errada.
A pergunta certa é: como os tributos interagem entre si durante a transição?
A sobreposição de bases de cálculo não é um detalhe técnico. É uma distorção estrutural que penaliza cadeias produtivas mais longas, beneficia quem tem menos etapas de produção e cria um ambiente de insegurança jurídica que vai gerar contencioso tributário por décadas.
A promessa era acabar com a Guerra fiscal. O que estamos vendo é o nascimento de uma nova guerra: a guerra das bases de cálculo.
O Que Você Precisa Fazer Agora
Não espere 2027 chegar. O empresário que se preparar agora terá vantagem competitiva. O empresário que deixar para depois vai entrar na fila do contencioso.
Aqui estão as ações práticas que recomendo:
Primeira ação: Faça uma simulação completa de precificação considerando os dois cenários — com e sem a inclusão de IBS/CBS na base do ICMS. Você precisa saber qual é o seu risco real.
Segunda ação: Revise seus contratos de fornecimento e venda. Cláusulas de reequilíbrio econômico-financeiro precisam estar previstas para absorver mudanças tributárias durante a transição.
Terceira ação: Atualize seus sistemas de gestão. Se o seu ERP não consegue calcular tributos “por dentro” e “por fora” simultaneamente, você está operando no escuro.
Quarta ação: Converse com seu contador e seu advogado tributarista. Mas não aceite respostas genéricas. Exija cenários, números, projeções. A hora de planejar é agora.
Quinta ação: Acompanhe o PLP 16/2025. Se ele for aprovado, corrige parte das distorções. Se não for, você precisa estar preparado para o pior cenário.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. O IBS e a CBS vão aumentar minha carga tributária? Depende do setor e da estrutura da sua operação. Para muitas empresas de serviços, a tendência é de aumento significativo. Para indústrias com créditos tributários ao longo da cadeia, pode haver neutralidade ou até redução. O problema está na transição: enquanto os dois sistemas coexistirem, há risco real de sobreposição de cargas.
2. Quando começa efetivamente a cobrança do IBS e da CBS? Em 2026, haverá uma alíquota-teste. A partir de janeiro de 2027, a CBS entra em vigor substituindo PIS e Cofins. O IBS começa gradualmente e só substitui completamente o ICMS e ISS em 2033.
3. Meu sistema de gestão está preparado para a Reforma? Provavelmente não. A maioria dos ERPs no mercado ainda opera com a lógica antiga. Você precisa exigir do seu fornecedor de software uma atualização que contemple cálculo híbrido de tributos.
4. O que é o “split payment” e como afeta meu caixa? É um mecanismo onde o imposto é retido automaticamente no momento da transação e enviado direto ao Fisco. O valor líquido vai para o fornecedor. Isso muda completamente a Gestão de fluxo de caixa e exige ajustes nos controles financeiros.
5. Posso judicializar a inclusão do IBS/CBS na base do ICMS? Há espaço jurídico para questionamento. A tese de que tributos calculados “por fora” não podem integrar a base de tributos “por dentro” tem fundamento constitucional. Porém, judicialização é incerta e demorada. O ideal é se preparar para os dois cenários.
6. Empresas do Simples Nacional também são afetadas? Sim, mas de forma diferente. O regime do Simples terá regras próprias de transição. Ainda assim, empresas optantes pelo Simples que vendem para empresas do regime normal precisam entender o impacto na cadeia.
7. Qual o maior risco para minha empresa nesse período? Precificar errado. Se você não entender a nova lógica de tributação, vai ou entregar margem, ou perder cliente. Nos dois casos, o resultado é o mesmo: dificuldade financeira.
Conclusão — Resumo Para Ação
A Reforma Tributária não é apenas uma mudança de sistema. É uma reconfiguração completa da lógica de precificação no Brasil.
Os principais pontos que você precisa levar desta leitura:
- A partir de 2027, tributos antigos e novos vão coexistir, criando complexidade sem precedentes na formação de preços.
- Há risco real de “tributo sobre tributo” pela inclusão do IBS e CBS na base de cálculo do ICMS.
- A precificação híbrida exige revisão de sistemas, contratos e estratégias.
- O PLP 16/2025 pode corrigir distorções, mas não há garantia de aprovação.
- Quem se preparar agora terá vantagem competitiva; quem deixar para depois vai sofrer.
Eu sempre digo em minhas palestras: no Brasil, toda boa notícia tributária esconde uma armadilha. Esta não é exceção.
Se você quer proteger sua empresa, comece agora. Estude, simule, planeje. E, se precisar de orientação especializada, busque quem entende do assunto de verdade, não quem apenas repete o que está na lei.
A lei é o começo da conversa. O impacto no seu negócio é o que importa.
Não Espere a Crise Chegar, Prepare-se Agora
A transição da Reforma Tributária não perdoa quem fica parado. Eu já vi milhares de empresas quebrarem não por falta de mercado, mas por falta de preparo tributário.
Se você quer entender como a nova precificação vai impactar o seu negócio específico, e o que fazer para proteger sua margem e sua competitividade, eu posso te ajudar. Agende uma consultoria personalizada para analisar a situação da sua empresa antes que 2027 chegue.
Não deixe sua empresa ser pega de surpresa. Quem age agora, lidera depois.
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