Janeiro de 2026 começa em poucos dias. A transição tributária também.
“Quem está lendo isso agora e ainda não fez nada, precisa entender: o tempo de planejar acabou. Agora é hora de agir, ou de assumir o risco.”
Eu não costumo ser alarmista. Em mais de quatro décadas no tributário brasileiro, aprendi que pânico não resolve problema fiscal. Mas também aprendi a reconhecer quando o empresário está diante de um ponto sem retorno. E esse ponto é agora.
Estamos nos últimos dias de 2025. Em janeiro de 2026, a Reforma Tributária deixa de ser “projeto futuro” e vira realidade operacional. E eu preciso te dizer com toda a franqueza de quem já administrou milhares de cases e recuperou mais de um bilhão de reais para contribuintes: a maioria das empresas brasileiras não está pronta.
O que muda a partir de janeiro de 2026
A partir do próximo mês — sim, do próximo mês — começa oficialmente o período de transição da Reforma Tributária. Não é mais teoria. Não é mais “vamos ver como fica”. É lei.
O PIS e a COFINS começam a dar lugar à CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). O ICMS e o ISS iniciam a migração para o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços). E o Imposto Seletivo entra em cena para produtos considerados nocivos à saúde ou ao meio ambiente.
O que isso significa na prática? Que sua empresa vai operar, durante anos, em dois sistemas tributários simultaneamente. O antigo ainda em extinção, o novo em fase de implantação. E o Fisco — pode ter certeza — vai fiscalizar os dois.
Por que esses últimos dias de 2025 são decisivos
Eu sei que fim de ano é época de balanço, confraternização, recesso. Mas preciso ser direto: esses dias que restam são os últimos em que você ainda pode se preparar antes do novo sistema começar a valer.
A partir de janeiro, você não estará mais se preparando, estará reagindo. E reagir, no tributário brasileiro, é sinônimo de pagar mais caro. Multas, juros, retificações, autuações. Eu já vi esse filme dezenas de vezes ao longo da minha carreira. Sempre termina da mesma forma para quem deixou para depois.
Se você ainda não revisou cadastros, não atualizou sistemas, não treinou sua equipe ou seu contador, não fez simulações de impacto, a hora é agora. Literalmente agora. Não existe mais “semana que vem”.
O ponto cego: inadimplência involuntária em massa
Vou te contar o que ninguém está dizendo abertamente: a Reforma Tributária vai criar uma nova geração de inadimplentes involuntários. Empresários sérios, honestos, que sempre pagaram seus tributos, vão cair em armadilhas simplesmente porque não entenderam as novas regras a tempo.
Códigos fiscais errados. Escrituração em formato inadequado. Obrigações acessórias entregues com inconsistências. E quando o empresário perceber, já vai estar sendo notificado, autuado, inscrito em dívida ativa.
Não estou falando de sonegadores. Estou falando de gente que vai errar de boa-fé. E o Fisco não pergunta se foi de boa-fé. Ele cobra.
Os riscos concretos para quem entra em 2026 despreparado
Deixe-me ser específico sobre o que está em jogo:
- Erros de apuração desde o primeiro mês: sistemas desatualizados vão gerar cálculos errados de CBS e IBS. Cada mês errado é um mês a ser retificado — com juros e multa.
- Cadastros fiscais inadequados: CNAE, NCM, CST — se não estiverem corretos, todo o fluxo de crédito tributário fica comprometido.
- Precificação às cegas: sem simulação de impacto, você não sabe se sua margem aguenta a nova carga. Pode estar vendendo sem lucro — ou perdendo mercado por preço alto demais.
- Perda de competitividade imediata: empresas preparadas vão operar com mais eficiência. As despreparadas vão gastar tempo e dinheiro corrigindo erros.
- Desgaste com o contador: se seu contador também não está preparado, a relação vai se deteriorar rapidamente. Atrasos, dúvidas, cobranças — o clima vai pesar.
O que ainda dá para fazer nesses últimos dias
Não vou mentir: o ideal seria ter começado há meses. Mas ainda dá para fazer o essencial. Aqui está o que eu recomendo como ação de emergência:
1. Converse com seu contador hoje. Pergunte diretamente: “Estamos preparados para a CBS e o IBS?” Se a resposta for vaga, você tem um problema. Se for clara, você tem um plano.
2. Verifique se seu sistema está atualizado. Ligue para o suporte do seu software fiscal. Pergunte se já está parametrizado para o novo modelo. Se não estiver, exija cronograma de atualização.
3. Revise seus cadastros críticos. CNAE da empresa, NCM dos produtos, códigos de situação tributária. Qualquer erro aqui vai se multiplicar em janeiro.
4. Peça uma simulação de impacto — mesmo que simplificada. Você precisa ter ao menos uma noção de como sua carga tributária vai se comportar no novo sistema.
5. Se não tem orientação especializada, busque agora. Não espere o primeiro problema aparecer para correr atrás de ajuda. O custo de prevenir é sempre menor que o custo de remediar.
Para contadores: seu papel mudou — aceite ou fique para trás
Se você é contador e está lendo isso, preciso ser igualmente direto com você: o contador operacional está com os dias contados. A Reforma Tributária não é só uma mudança de impostos — é uma mudança de paradigma na profissão.
Seus clientes vão precisar de simulações de cenário, relatórios de impacto, orientação estratégica sobre precificação e fluxo de caixa. Se você não estiver preparado para entregar isso, outro profissional vai estar.
Os escritórios que eu vejo prosperando são aqueles que já entenderam: tecnologia atualizada + conhecimento técnico + postura consultiva = diferencial competitivo. Os que ainda operam no modo “cumprir obrigação e mandar guia” vão perder carteira, e rápido.
Perguntas Frequentes (FAQ)
A Reforma Tributária já começa a valer em janeiro de 2026?
Sim. Janeiro de 2026 marca o início do período de transição, com a introdução gradual da CBS e do IBS. A coexistência com o sistema atual vai até 2033.
Ainda dá tempo de me preparar?
Dá, mas com urgência. Esses últimos dias de 2025 são sua última janela para ajustes antes do novo sistema começar a operar. A partir de janeiro, você estará reagindo, não prevenindo.
Meu contador deveria ter me avisado?
Deveria. Se não avisou, converse com ele imediatamente. Se não souber responder suas dúvidas com clareza, considere buscar apoio especializado complementar.
Empresas do Simples Nacional também são afetadas?
Sim. Haverá ajustes nas alíquotas e na forma de apuração. Empresas do Simples que vendem para outras empresas precisam entender como funcionará o crédito tributário no novo sistema.
Qual o maior risco imediato?
Erros de escrituração e apuração nos primeiros meses, gerando retificações, multas e autuações, mesmo em empresas bem-intencionadas que simplesmente não entenderam as novas regras a tempo.
Vale a pena buscar consultoria agora, tão em cima da hora?
Mais do que nunca. Mesmo uma orientação de emergência é melhor do que entrar em 2026 completamente às cegas. O custo de um erro tributário é sempre maior do que o investimento em prevenção.
Resumo: Ações de Emergência
- Janeiro de 2026 marca o início oficial da transição tributária — faltam dias.
- Dois sistemas tributários vão coexistir até 2033. Sua empresa precisa operar nos dois.
- O maior risco imediato é a inadimplência involuntária por erros de escrituração.
- Ações urgentes: conversar com contador, verificar sistemas, revisar cadastros, simular impacto.
- Contadores precisam assumir postura consultiva e estratégica, não apenas operacional.
- Buscar orientação especializada agora é investimento — não custo.
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Se você chegou até aqui e percebeu que sua empresa pode estar vulnerável às mudanças de janeiro, Entre em contato.
Com a experiência de quem já atravessou todas as grandes mudanças tributárias do Brasil nas últimas décadas, ofereço consultorias, diagnósticos e orientação estratégica para empresários e contadores que precisam se posicionar.
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