Se você acha que a Reforma Tributária é só mais uma alteração técnica na legislação, lamento informar: está cometendo o mesmo erro de milhares de empresários que eu vi fecharem as portas nos últimos 40 anos por subestimarem o impacto de mudanças fiscais.
Depois de administrar cerca de 10 mil cases tributários e patrocinar quase 28 mil ações contra o Fisco ao longo de quatro décadas, aprendi uma verdade que poucos consultores têm coragem de dizer: toda grande mudança tributária esconde oportunidades para quem se antecipa e armadilhas fatais para quem aguarda passivamente.
Janeiro de 2026 não será apenas uma data no calendário. Será o momento em que o maior experimento tributário da história brasileira sairá do papel para a realidade do seu negócio.
O que realmente está em jogo a partir de 2026
A partir de 1º de janeiro de 2026, o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) começam a valer em território nacional. Não se trata de uma substituição imediata. O ano de 2026 será uma fase de testes, com alíquota simbólica de 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS, enquanto os tributos antigos (ICMS, ISS, PIS, Cofins) continuam existindo.
Em outras palavras, você terá que conviver com dois sistemas tributários simultaneamente durante anos. E essa convivência é muito mais perigosa do que a maioria dos empresários percebe.
Quando falo em seminários para empresários, costumo dizer: “o problema não é a mudança em si, é a transição”. E esta transição vai até 2033. São sete anos operando com regras antigas e novas ao mesmo tempo. Sete anos para errar. Sete anos para acumular passivos ocultos que só aparecerão quando o Fisco vier cobrar.
Por que você não pode esperar até o último momento
Há um erro clássico que vejo se repetir há décadas no comportamento empresarial brasileiro: a postergação. O empresário lê sobre a mudança, entende que é importante, mas acha que tem tempo. Afinal, a cobrança plena só começa em 2027 para a CBS e vai até 2033 para o IBS.
Acontece que a estrutura das suas obrigações acessórias muda já em janeiro de 2026. A partir dessa data, sua empresa será obrigada a emitir notas fiscais eletrônicas com os valores da CBS e do IBS destacados de forma individualizada. Isso exige adaptação de sistemas, de processos internos e, principalmente, de mentalidade.
Empresas do Lucro Real e Lucro Presumido precisam ajustar seus ERPs imediatamente, estamos em dezembro de 2025 e o prazo está no limite. Quem ainda não fez as adaptações necessárias enfrenta agora filas congestionadas de suporte técnico, custos emergenciais elevados e risco concreto de emissão irregular de documentos fiscais já nas primeiras semanas de janeiro. O momento de agir não é amanhã. É hoje.
O impacto real por regime tributário: onde sua empresa está vulnerável
Simples Nacional: a armadilha da falsa tranquilidade
Muitos empresários do Simples Nacional acreditam que estão protegidos da reforma. Afinal, o regime foi mantido. Mas atenção: empresas do Simples, em regra, não poderão gerar créditos de IBS e CBS para seus clientes.
O que isso significa na prática? Se você vende para outras empresas, especialmente as do Lucro Real, poderá perder competitividade. Seu cliente vai preferir comprar de um fornecedor que gere créditos tributários, reduzindo seu próprio custo fiscal.
Por isso, a revisão do enquadramento tributário não é mais uma análise que se faz uma vez por ano em janeiro. Tornou-se uma decisão estratégica de sobrevivência comercial.
Lucro Presumido: o regime que pode deixar de fazer sentido
O Lucro Presumido, que historicamente foi uma opção vantajosa para empresas de serviços com baixa despesa operacional, pode se tornar desvantajoso no novo sistema. O motivo é simples: nesse regime, não há apuração de créditos.
Com a lógica da não cumulatividade plena do IBS e CBS, empresas que têm volume significativo de aquisições de insumos e serviços tributáveis podem encontrar no Lucro Real uma economia que antes não existia. Mas migrar de regime exige planejamento, simulações e decisão até o último dia útil de janeiro de 2026 para empresas do Simples ou até o primeiro recolhimento do ano para os demais.
Lucro Real: a complexidade multiplicada
Para empresas do Lucro Real, a reforma traz a promessa da não cumulatividade plena, em tese, todo crédito será aproveitável. Mas essa promessa vem acompanhada de uma complexidade operacional sem precedentes.
A nova sistemática de créditos exige controle minucioso, documentação adequada e sistemas integrados. Erros na classificação fiscal ou na apuração de créditos podem gerar contingências que só aparecerão anos depois, quando o Fisco cruzar informações.
O Split Payment: a mudança silenciosa que vai revolucionar seu fluxo de caixa
Se há um aspecto da reforma que quase ninguém está discutindo com a seriedade necessária, é o split payment. E deixe-me ser direto: essa mudança pode ser mais impactante para o seu dia a dia do que a própria alteração das alíquotas.
No modelo atual, quando você vende um produto ou serviço, recebe o valor integral e depois recolhe o tributo no vencimento, geralmente no mês seguinte ou em prazos ainda maiores. Esse intervalo funciona como uma espécie de “empréstimo sem juros” que o Fisco faz ao empresário. Muitas empresas usam esse dinheiro como capital de giro.
Com o split payment, o valor do tributo será retido automaticamente no momento da transação. O dinheiro nem passa pelo seu caixa, vai direto para a conta do Fisco através das operadoras de cartão, bancos e plataformas de pagamento.
Imagine o cenário: você vende R$ 100 mil em mercadorias, parcelado em quatro vezes para seu cliente. Com uma alíquota combinada de 25% (IBS + CBS), são R$ 25 mil em tributos. No modelo atual, você recebe tudo e paga o imposto depois. No split payment, esses R$ 25 mil vão direto para o governo no mês seguinte à venda, mesmo que você só receba do cliente em quatro meses.
Para empresas com margens apertadas ou que operam com vendas a prazo, isso pode significar a necessidade de linhas de crédito adicionais apenas para cobrir esse descasamento de fluxo. E crédito, no Brasil, você sabe quanto custa.
O passo a passo para proteger sua empresa
Primeiro movimento: diagnóstico fiscal completo
Antes de qualquer decisão, você precisa saber exatamente onde está pisando. Isso significa mapear todas as operações da empresa que serão impactadas pela nova tributação, identificar quais produtos e serviços terão tratamento diferenciado, levantar o volume de créditos tributários que você gera e aproveita hoje, e entender sua cadeia de fornecedores e clientes.
Esse diagnóstico não é trabalho para fazer sozinho. Envolva seu contador, seu advogado tributarista e, se necessário, um consultor especializado em Reforma Tributária.
Segundo movimento: simulação de cenários
Com o diagnóstico em mãos, é hora de simular. Compare a carga tributária atual com a projetada sob o novo sistema em cada regime possível: Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real.
Mas atenção: a simulação precisa considerar não apenas a alíquota nominal, mas também o efeito dos créditos, o impacto no fluxo de caixa pelo split payment e as mudanças na precificação dos seus produtos e serviços.
Terceiro movimento: adaptação tecnológica
Seus sistemas precisam estar prontos para emitir documentos fiscais com os novos campos de IBS e CBS a partir de janeiro de 2026. Isso não é negociável, é obrigação legal.
Converse com seu provedor de ERP, com sua software house, com seu contador. Verifique se as atualizações necessárias estão no cronograma e teste antes de virar o ano.
Quarto movimento: revisão contratual
Seus contratos de longo prazo precisam ser revisados. A forma como o IBS e CBS são calculados, “por fora” do preço, diferente do ISS e PIS/Cofins que eram “por dentro”, altera a matemática de formação de preços.
Contratos firmados antes da reforma, sem cláusulas de recomposição tributária, podem se tornar deficitários.
Quinto movimento: capacitação da equipe
A reforma não é assunto apenas para o dono da empresa ou para o contador. Profissionais de vendas, compras, financeiro e operações precisam entender como as mudanças afetam suas rotinas.
Sexto movimento: governança e compliance
Com a entrada do split payment e do sistema automatizado de arrecadação, a margem para erros diminui drasticamente. O Fisco terá visibilidade em tempo real das suas operações.
Estruture comitês internos com membros das áreas fiscal, contábil, jurídica e de tecnologia. Crie rotinas de validação de notas fiscais, classificação de produtos e apuração de créditos.
O que ninguém está te contando sobre a Reforma
Vou compartilhar algo que aprendi em 40 anos lidando com o Fisco brasileiro: toda simplificação anunciada pelo governo vem acompanhada de complexidades que só aparecem na implementação.
A promessa oficial é de que não haverá aumento de carga tributária. As alíquotas de referência serão calibradas para manter a arrecadação como proporção do PIB. Mas olhe para os números: estima-se uma alíquota padrão combinada de IBS e CBS em torno de 26,5% a 28%, uma das mais altas do mundo para IVA.
Para alguns setores, especialmente serviços intensivos em mão de obra, haverá redução de alíquota em 30%, chegando a uma carga efetiva de aproximadamente 19,6%. Ainda assim, para muitos prestadores de serviços que hoje operam com ISS de 2% a 5% e PIS/Cofins cumulativos de 3,65%, isso representa aumento real.
E há outro ponto crítico: o Superior Tribunal de Justiça já projeta um aumento de 35% na litigância tributária nos primeiros anos da reforma. O que isso significa? Que a “simplificação” vai gerar uma nova onda de contencioso, com teses jurídicas ainda não testadas e insegurança sobre a interpretação das novas regras.
Perguntas frequentes (FAQ)
Minha empresa do Simples Nacional precisa se preocupar com 2026?
Em 2026, empresas do Simples Nacional estão dispensadas do teste de alíquotas de IBS e CBS. Porém, podem ser obrigadas a destacar os novos tributos em notas de devolução. A reflexão estratégica sobre permanência no Simples deve começar agora, considerando o impacto competitivo de não gerar créditos para clientes.
O split payment já vale em 2026?
O split payment entrará em vigor de forma escalonada. Em 2026, ainda estamos na fase de testes. A previsão é de adoção facultativa em operações B2B a partir de 2027 e obrigatoriedade progressiva até 2028.
Posso compensar o IBS e CBS pagos em 2026 com outros tributos?
Sim. Os valores pagos a título de CBS e IBS em 2026 poderão ser compensados com débitos de PIS e Cofins. Havendo saldo credor, será possível a compensação com outros tributos federais ou a solicitação de ressarcimento em até 60 dias.
Qual o prazo para escolher o regime tributário em 2026?
Para o Simples Nacional, a opção deve ser formalizada até o último dia útil de janeiro de 2026. Para Lucro Presumido e Lucro Real, a escolha ocorre no primeiro pagamento de IRPJ e CSLL ou na entrega da primeira DCTF do ano.
O fim dos benefícios fiscais estaduais afeta minha decisão de localização?
Com a tributação no destino e a extinção progressiva do ICMS, os incentivos fiscais estaduais perderão relevância. A decisão de onde operar deve ser baseada em proximidade do mercado consumidor, custos logísticos e infraestrutura.
Preciso alterar meus sistemas de emissão de nota fiscal?
Sim. A partir de janeiro de 2026, os documentos fiscais eletrônicos deverão conter campos específicos para CBS e IBS. Verifique com seu provedor de software se as atualizações estão contempladas.
O que acontece se eu não me adaptar a tempo?
Além do risco de emissão irregular de documentos fiscais, a empresa mal preparada terá dificuldade de aproveitamento de créditos, problemas de fluxo de caixa e perda de competitividade.
Conclusão prática: um resumo para ação imediata
A Reforma Tributária não é evento futuro, é processo presente. As decisões que você tomar agora determinarão se sua empresa atravessará a transição fortalecida ou fragilizada.
O que você precisa fazer:
- Realize um diagnóstico fiscal completo, mapeando todas as operações impactadas pela reforma.
- Simule cenários comparando a carga tributária atual com a projetada nos três regimes possíveis.
- Atualize seus sistemas de emissão de documentos fiscais até dezembro de 2025.
- Revise contratos de longo prazo, incluindo cláusulas de recomposição tributária.
- Capacite sua equipe nas novas regras.
- Estruture governança tributária com comitês multidisciplinares e rotinas de compliance.
- Monitore a regulamentação continuamente.
A hora de agir é agora. Quem se antecipa transforma mudança em oportunidade. Quem espera, vira estatística.
Fale com o Dr. Juvenil Alves
Você não precisa enfrentar essa transição sozinho.
Depois de mais de 40 anos defendendo empresários brasileiros contra a voracidade do Fisco, já vi de tudo: negócios que prosperaram porque se anteciparam às mudanças e empresas que sucumbiram porque deixaram para depois.
Se você quer entender como a Reforma Tributária vai impactar especificamente o seu negócio, identificar oportunidades de economia fiscal e estruturar um planejamento robusto para 2026, estou à disposição para uma conversa estratégica. Entre em contato e agende uma consulta, descubra como proteger seu patrimônio e transformar a complexidade tributária em vantagem competitiva.
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