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Planejamento Tributário Para o Agro: Estratégias Durante a Transição

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O ano-teste chegou. Não é mais previsão, não é mais cenário hipotético. Desde o primeiro dia de janeiro de 2026, o agronegócio brasileiro ingressou oficialmente no período de transição tributária. O IBS e a CBS já começaram a coexistir com os tributos antigos, e muitos produtores rurais acordaram para essa realidade sem o preparo necessário.

Mas ainda há tempo. Não o tempo confortável de quem planeja com anos de antecedência, mas o tempo urgente de quem precisa agir enquanto a safra ainda está no campo. Planejamento tributário, neste momento, não é luxo de grandes propriedades, é sobrevivência para qualquer produtor que queira atravessar essa transição sem comprometer sua operação.

O Cenário Atual: O Ano-Teste em Curso

Estamos vivendo o que muitos especialistas chamaram de “laboratório tributário”. Em 2026, as alíquotas-teste do IBS e da CBS já estão sendo aplicadas, ainda que em percentuais reduzidos. Os sistemas convivem. As obrigações acessórias se multiplicam. E o produtor rural, que já lida com clima, mercado e logística, agora precisa dominar uma nova gramática fiscal.

Vale observar que esse período não é mera formalidade. Ele foi desenhado justamente para que contribuintes e fisco ajustem seus processos antes da implementação plena. O problema é que muitos produtores ainda tratam 2026 como “ano de observação”, quando na verdade é ano de ação.

Os erros cometidos agora — na emissão de notas, na apuração de créditos, na precificação de contratos — criarão passivos que só serão descobertos lá na frente. E quando forem descobertos, a conta virá com juros e correção.

Estratégias Urgentes Para o Produtor Rural

Adequação Imediata dos Sistemas Contábeis

Se sua contabilidade ainda não está preparada para operar no regime dual, este é o primeiro incêndio a apagar. Os sistemas precisam emitir documentos fiscais que contemplem tanto os tributos antigos quanto as novas contribuições. Erros nessa etapa geram inconsistências que podem travar operações inteiras.

Converse com seu contador esta semana. Não no mês que vem. Esta semana. Pergunte diretamente: “Nossos sistemas estão emitindo corretamente os documentos do ano-teste?” Se a resposta for vaga, acenda o alerta.

Revisão da Estrutura Jurídica — Ainda Dá Tempo

Quem não revisou sua estrutura antes de 2026 ainda pode fazê-lo, mas com menos margem de manobra. A decisão entre operar como pessoa física ou jurídica, a constituição de holdings, a reorganização societária — tudo isso ainda é possível, porém exige agilidade.

Cada estrutura responderá de forma diferente ao novo sistema. Produtores que operam como pessoa física enfrentarão regras específicas de creditamento. Aqueles organizados em pessoas jurídicas precisam entender como o IBS e a CBS impactam sua cadeia de fornecedores e compradores.

Não existe fórmula universal. O que existe é diagnóstico preciso e decisão rápida. Fique de olho: o que você não decidir agora, o fisco decidirá por você.

Renegociação de Contratos em Andamento

Contratos firmados antes de 2026 foram precificados sob a lógica tributária antiga. Com a entrada do ano-teste, cláusulas de repasse de tributos, reajustes e margens precisam ser reavaliadas imediatamente.

Tenho acompanhado casos de produtores que só perceberam o problema quando a fatura chegou: contratos antigos, firmados sem qualquer previsão para o novo regime tributário, passaram a consumir margens que antes garantiam a rentabilidade da operação.

A prudência mineira que carrego há quatro décadas me ensinou: contrato assinado não é contrato esquecido. É contrato acompanhado.

Mapeamento de Créditos no Novo Sistema

O regime de créditos do IBS e da CBS funciona de forma diferente dos tributos que conhecíamos. O produtor rural precisa entender, com clareza, quais aquisições geram crédito, como esses créditos são apropriados e em que prazo podem ser utilizados.

Esse mapeamento não é exercício teórico. É ferramenta de gestão de caixa. Créditos mal aproveitados são dinheiro deixado na mesa. E em ano de transição, cada centavo conta.

A Importância do Acompanhamento Especializado — Agora Mais do Que Nunca

Diz o provérbio bíblico que “onde não há conselho, os projetos fracassam, mas com muitos conselheiros há bom êxito” (Provérbios 15:22). Em 2026, essa sabedoria deixou de ser recomendação para se tornar necessidade vital.

A complexidade do período de transição exige acompanhamento multidisciplinar. Advogados tributaristas, contadores especializados no agro e consultores financeiros precisam trabalhar em conjunto, com reuniões frequentes e comunicação constante.

O erro mais comum que observo é o produtor que acredita que “o contador resolve”. O contador é essencial, mas ele precisa de diretrizes claras, acesso a informações atualizadas e, sobretudo, de um cliente que participe ativamente das decisões. As consequências, boas ou ruins, sempre recaem sobre o produtor.

Reflexão: O Trem Já Partiu, Mas Você Ainda Pode Embarcar

O tempo do planejamento antecipado passou. Quem se preparou antes de 2026 está colhendo os frutos dessa prudência. Mas para quem ficou para trás, o momento não é de lamentação, é de recuperação.

O ano-teste oferece uma janela. Estreita, mas real. Uma oportunidade de ajustar processos, corrigir estruturas e preparar o terreno para os anos seguintes, quando as alíquotas cheias entrarão em vigor e a margem de erro será ainda menor.

Não se trata de alarmismo. Trata-se de realismo. A mesma objetividade que leva o produtor a analisar previsões climáticas e cotações de mercado deve guiar sua análise tributária. O fisco não espera. O calendário não negocia.

Conclusão

O agronegócio brasileiro atravessa, neste exato momento, a maior transformação tributária de sua história. O ano teste de 2026 não é ensaio, é o primeiro ato de uma mudança irreversível. E cada decisão tomada agora moldará a saúde financeira das propriedades rurais pelos próximos anos.

Meu convite é direto: não deixe para amanhã. Reúna sua equipe hoje, revise sua estrutura esta semana, mapeie seus créditos neste mês. O planejamento tributário feito durante a transição ainda pode salvar sua operação, mas a janela está se fechando.

A terra não espera pelo agricultor despreparado. O novo sistema tributário, tampouco.

Para compreender um dos pontos mais críticos dessa transição e como ele pode impactar diretamente o custo dos seus insumos neste ano teste, recomendo a leitura do artigo: Diferimento de IBS e CBS em Insumos Agrícolas: A Armadilha Tributária que Vai Sufocar o Produtor Rural.

O ano teste já começou e cada dia conta. Se você é produtor rural, empresário do agronegócio ou contador que assessora o setor, estou à disposição para uma análise da sua situação tributária, Entre em contato.

Agende uma consulta. Em tempos de transição, agilidade é proteção.

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