Prefere ouvir? O episódio está abaixo:
“Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito.”
— Machado de Assis, Esaú e Jacó (1904)
Machado observou a alma humana com o ceticismo mais preciso da literatura brasileira. Ele sabia que o passado, quando retido com força demais, impede o futuro de entrar.
Hoje reli esta frase e penso em processos que se arrastam por décadas, em rancores societários que consomem mais energia do que qualquer tributo. A obstinação em manter a lousa cheia de mágoas é a tornozeleira mais pesada que um líder pode se impor. O perdão, do ponto de vista da psicologia e do direito, não é sentimentalismo: é higiene estratégica. Apagar o que estava escrito não é apagar a história. É recuperar o espaço para escrever o que ainda está por vir.
Quem não consegue apagar a lousa não tem onde escrever o próximo capítulo.
Juvenil Alves é advogado tributarista, escritor, conferencista e ciclista. Tem mais de quatro décadas de experiência no Direito Tributário e Empresarial e formação em seminários católicos, onde se dedicou à filosofia e à teologia, e depois ampliou seus estudos à história e à psicanálise. Escreve sobre direito, liderança e condição humana em juvenilalves.com.br.