Prefere ouvir? O episódio está abaixo:
“A triste verdade é que a maior parte do mal é feita por pessoas que nunca tomaram a decisão de serem boas ou más.”
— Hannah Arendt, Eichmann em Jerusalém (1963)
Arendt foi a Jerusalém para cobrir o julgamento de um criminoso de guerra e voltou com uma descoberta perturbadora: o mal extremo não exigiu monstros. Exigiu funcionários obedientes que pararam de pensar.
Hoje reli esta frase e penso em empresas. O mal estrutural raramente chega com estampido. Ele rasteja pela pequena concessão ética diária: o balanço levemente maquiado, a irregularidade que todos viram e ninguém nomeou, a opressão silenciosa de quem tem menos poder. A banalidade do mal corporativo acontece quando as pessoas se convertem em engrenagens que executam sem questionar. A fibra moral que sustenta impérios não está nos regulamentos. Está em quem, dentro da sala, ainda tem a coragem de perguntar: isso é certo?
Terceirizar a consciência para a aprovação dos superiores é a renúncia mais silenciosa à própria humanidade.
Humanidades e Liderança · Belo Horizonte, setembro de 2026 · juvenilalves.com.br