“A maior parte do mal” — Arendt e as pessoas que nunca decidiram nada

"Frase de Hannah Arendt sobre a banalidade do mal — comentário de Juvenil Alves".
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“A triste verdade é que a maior parte do mal é feita por pessoas que nunca tomaram a decisão de serem boas ou más.”
— Hannah Arendt, Eichmann em Jerusalém (1963)

Arendt foi a Jerusalém para cobrir o julgamento de um criminoso de guerra e voltou com uma descoberta perturbadora: o mal extremo não exigiu monstros. Exigiu funcionários obedientes que pararam de pensar.

Hoje reli esta frase e penso em empresas. O mal estrutural raramente chega com estampido. Ele rasteja pela pequena concessão ética diária: o balanço levemente maquiado, a irregularidade que todos viram e ninguém nomeou, a opressão silenciosa de quem tem menos poder. A banalidade do mal corporativo acontece quando as pessoas se convertem em engrenagens que executam sem questionar. A fibra moral que sustenta impérios não está nos regulamentos. Está em quem, dentro da sala, ainda tem a coragem de perguntar: isso é certo?

Terceirizar a consciência para a aprovação dos superiores é a renúncia mais silenciosa à própria humanidade.

Humanidades e Liderança · Belo Horizonte, setembro de 2026 · juvenilalves.com.br

Quem escreve

Juvenil Alves - jurista, teólogo, filósofo, psicanalista e escritor.

Nasceu em Abaeté, no interior de Minas Gerais. É filho de Juvenil Alves, alfaiate, e de Isabel Amélia, servente escolar. Foi nesse ambiente simples que aprendeu, desde cedo, o valor do trabalho, da disciplina, da educação e da responsabilidade.

Sua formação intelectual começou pela Filosofia  e pela Teologia e, mais tarde, encontrou no Direito o espaço emq ue essas reflexões passaram a dialogar diariamente com a vida concreta das pessoas, das empresas e das instituições. Desde então, nunca deixou de percorrer esse cruzamento.

Ao longo de mais de quatro décadas de atuação profissional, construiu uma carreira dedicada ao Direito Tributário e Empresarial, assessorando empresas, famílias e organizações em questões de alta complexidade. Paralelamente, manteve um estudo permanente das Humanidades, formando uma biblioteca construída ao longo de quase cinquenta anos de leituras, pesquisas e anotações.

Neste blog, reúne essas duas experiências. Escreve sobre Direito Tributário, Direito Empresarial, Reforma  Tributária, Filosofia do Direito, Filosofia, Teologia, Psicanálise, Liderança, Ética, Humanidades e Neurodiversidade. Não para oferecer respostas prontas, mas para investigar as ideias, os príncipios e os fundamentos que orientam as decisões humanas.

Os ensaios publicados aqui dialogam com autores clássicos e contemporâneos e procuram aproximar o pensamento filosófico da realidade jurídica, empresarial e social. Muitos deles integram projetos editoriais em desenvolvimento e servirão de base para futuras obras.

Este espaço nasceu da convicção de que a técnica, quando separada das Humanidades, empobrece o pensamento; e de que a Filosofia, a Teologia, a Psicanálise e o Direito continuam oferecendo instrumentos indispensáveis para compreender o ser humano, as instiuições e os desafios do nosso tempo.

Sem fórmulas. Sem juridiquês.

O conteúdo chega em dois formatos: leia quando quiser no blog ou ouça quando puder no podcast, disponível no Spotify.

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