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Reforma Tributária 2026: o que sua empresa precisa revisar agora antes que o Fisco bata à porta

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Se você ainda trata a Reforma Tributária como algo distante, eu preciso ser direto: o relógio já está correndo contra a sua empresa. Em mais de 40 anos atuando no tributário, eu vi centenas de empresários perderem dinheiro não porque erraram, mas porque demoraram a agir.

A transição tributária no Brasil não é uma troca de sistema que acontece da noite para o dia. Na verdade, ela já está acontecendo de forma gradual, silenciosa e – o que é mais perigoso – técnica. Isso significa que, enquanto muitos empresários esperam uma “data oficial” para se preocupar, o Fisco já está reorganizando suas ferramentas de fiscalização.

Por essa razão, quero mostrar a você, de forma clara e prática, o que precisa entrar na sua pauta de revisão imediatamente.

O Que Está Mudando de Verdade na Prática das Empresas?

A substituição gradual de tributos como PIS, Cofins e IPI – no âmbito federal – e ICMS e ISS – nas esferas estadual e municipal – pelos novos modelos, notadamente a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), não é apenas uma mudança legislativa. Pois trata-se de uma reestruturação completa da lógica tributária brasileira.

Entretanto, o que pouca gente está dizendo é o seguinte: mesmo que 2026 seja oficialmente uma fase de testes, com alíquotas simbólicas de 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS, sem cobrança efetiva e com compensação integral no PIS e Cofins já devidos, as obrigações acessórias são reais e imediatas. As empresas já precisam emitir notas fiscais com destaque dos novos tributos. Portanto, antes mesmo de o novo sistema estar plenamente vigente, as empresas já precisam adaptar cadastros, sistemas, contratos e rotinas internas. Caso contrário, o risco de inconsistências fiscais cresce de maneira exponencial.

Em minha experiência com a administração de cerca de 10 mil cases tributários, posso garantir que a maioria dos problemas graves com o Fisco não nasce de má-fé, nasce de desorganização. E a transição tributária é terreno fértil para esse tipo de armadilha.

Por Que a Revisão de Cadastros Fiscais É Tão Urgente?

O primeiro ponto de atenção é também o mais negligenciado: a atualização dos cadastros de produtos e serviços. Com a CBS substituindo PIS, Cofins e IPI, e o IBS substituindo ICMS e ISS, a classificação fiscal ganha um peso ainda maior. Códigos de NCM, códigos de serviço e a natureza das operações precisam estar rigorosamente corretos.

Além disso, o novo modelo tende a eliminar muitas exceções e tratamentos diferenciados que existem hoje. Dessa forma, empresas que se beneficiavam de enquadramentos específicos podem se ver, de repente, pagando mais tributo, ou pior, sendo autuadas por classificação incorreta.

Eu costumo dizer em meus seminários: “O Fisco não perdoa erro de cadastro. Ele não olha a intenção; ele olha o dado.” Portanto, revise agora, enquanto ainda há tempo para corrigir sem penalidade.

O que fazer na prática:

  • Solicite ao seu contador uma auditoria completa dos cadastros de NCM e códigos de serviço.
  • Confirme se as naturezas de operação atendem às novas exigências.
  • Empresas que operam em mais de um estado ou município devem acompanhar as regras locais durante o período de convivência entre os dois sistemas.

Como a Reforma Tributária Impacta Seus Sistemas e Processos Internos?

Outro ponto crítico e frequentemente ignorado, é a estrutura tecnológica da empresa. ERPs, sistemas de emissão fiscal e softwares de gestão precisam estar preparados para novos layouts, campos obrigatórios e regras de apuração.

Consequentemente, se o seu sistema não estiver atualizado, você corre o risco de emitir documentos fiscais com erros que, em tempos de cruzamento digital de dados, são detectados em questão de horas pelo Fisco.

Eu já vi empresas perderem milhões porque o sistema gerou um código errado em uma nota fiscal eletrônica. Não foi fraude. Foi falha técnica. E o Fisco não faz essa distinção na hora da autuação.

O que fazer na prática:

  • Entre em contato com o fornecedor do seu ERP e pergunte: “Vocês já estão preparados para as mudanças da Reforma Tributária?”
  • Revise fluxos de compras, vendas e faturamento com sua equipe fiscal.
  • Mapeie toda a cadeia de créditos tributários da empresa, isso será fundamental no novo modelo.

Seus Contratos Estão Preparados Para a Transição Tributária?

Aqui está um ponto cego que quase ninguém está discutindo: os contratos de médio e longo prazo. Muitos empresários firmaram acordos comerciais com cláusulas de repasse de tributos baseadas no sistema atual. No entanto, quando os novos tributos entrarem em vigor, essas cláusulas podem se tornar fonte de desequilíbrio financeiro grave.

Por exemplo, imagine que você tem um contrato de fornecimento com vigência de cinco anos, onde a cláusula tributária prevê repasse de ICMS. Quando o ICMS for gradualmente substituído pelo IBS, o que acontece com essa cláusula? Quem absorve a diferença? Quem paga a conta?

Em 40 anos de advocacia tributária, eu aprendi que contrato mal redigido é bomba-relógio. E, neste momento, a Reforma Tributária está encurtando o pavio. Se você quer entender melhor esse risco, recomendo a leitura do meu artigo sobre a Reforma Tributária e contratos empresariais.

O que fazer na prática:

  • Revise todos os contratos com vigência superior a 2 anos que contenham cláusulas tributárias.
  • Consulte seu advogado tributarista sobre a necessidade de aditivos contratuais.
  • Reavalie modelos de precificação considerando possíveis alterações na carga tributária efetiva.

O Que Muda na Rotina do Seu Escritório Contábil?

Para contadores e escritórios de contabilidade, a Reforma Tributária não é apenas mais uma norma para acompanhar, é uma mudança estrutural na forma de trabalhar. A gestão de dados fiscais, o controle de documentos eletrônicos e a orientação preventiva ao cliente se tornam atividades estratégicas, não meramente operacionais.

Nesse sentido, o contador que não se posicionar como consultor tributário estratégico ficará para trás. O empresário precisa de alguém que traduza a norma em impacto real no negócio, e não apenas em obrigação acessória cumprida.

Inclusive, eu tenho dito com frequência: o planejamento tributário dentro dos limites legais nunca foi tão essencial como agora. A Reforma amplia a importância da análise de cenários e da antecipação de riscos.

Riscos e Armadilhas Que Ninguém Está Mencionando

Quero ser ainda mais direto sobre os perigos que enxergo nesta fase de transição:

1. Falsa sensação de tempo. Muitos empresários acreditam que, por ser gradual, a transição não exige ação imediata. Esse é o erro mais comum, e mais caro.

2. Confiança excessiva no sistema atual. O fato de seu ERP funcionar bem hoje não garante que ele funcionará amanhã. As mudanças são profundas e exigem atualizações técnicas específicas.

3. Desatenção às regras locais. Durante o período de convivência entre sistemas, cada estado e município pode ter regras próprias. Ignorar essas particularidades é convite para autuação.

4. Negligência com a cadeia de créditos. O novo modelo muda a lógica de aproveitamento de créditos tributários. Quem não mapear essa cadeia agora pode deixar dinheiro na mesa, ou pagar tributo em duplicidade.

Perguntas Frequentes (FAQ)

A Reforma Tributária já está em vigor? O ano de 2026 funciona como fase de testes. As empresas devem emitir notas fiscais com destaque da CBS e do IBS, porém as alíquotas são simbólicas (0,9% CBS e 0,1% IBS), sem cobrança efetiva, o valor compensa o PIS e Cofins já devidos. A cobrança real da CBS começa em 2027, e a transição completa do IBS ocorre entre 2029 e 2033.

Minha empresa precisa trocar de sistema fiscal? Não necessariamente. Contudo, é fundamental verificar com o fornecedor do seu sistema se ele já atende aos novos layouts, campos e regras de apuração.

Quais tributos serão substituídos? No âmbito federal, PIS, Cofins e IPI darão lugar à CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). Já o ICMS (estadual) e o ISS (municipal) cederão espaço ao IBS (Imposto sobre Bens e Serviços). Juntos, CBS e IBS compõem o chamado IVA Dual (Imposto sobre Valor Agregado), com não cumulatividade plena. Contudo, para uma explicação mais detalhada, leia também IVA Dual brasileiro: o que o empresário precisa entender em linguagem simples.

Dúvidas Sobre Contratos, Simples Nacional e Transição

Preciso revisar meus contratos por causa da Reforma? Sim, especialmente contratos de médio e longo prazo que contenham cláusulas de repasse tributário. A mudança nos tributos pode gerar desequilíbrio contratual se não houver previsão adequada.

O Simples Nacional será afetado? Em 2026, as empresas do Simples Nacional e os MEIs não precisam destacar CBS e IBS nas notas fiscais. No entanto, até setembro de 2026, essas empresas terão que decidir se, em 2027, permanecerão no regime simplificado ou se migrarão para o novo sistema tributário. Essa decisão exige análise cuidadosa do impacto financeiro em cada caso.

O que é a fase de convivência entre os dois sistemas? É o período de 2026 a 2033, em que o sistema tributário atual e o novo coexistem. Em 2026, a fase é de testes com alíquotas simbólicas. A partir de 2027, a CBS entra em vigor com alíquota cheia, substituindo PIS, Cofins e IPI. O governo reduz progressivamente o ICMS e o ISS de 2029 a 2033, quando o IBS assume integralmente. Então, já nessa fase, as empresas precisam cumprir obrigações de ambos os modelos, o que aumenta significativamente a complexidade operacional.

Como saber se minha classificação fiscal está correta? Solicite ao seu contador ou consultor tributário uma revisão dos códigos de NCM, naturezas de operação e classificações de serviço. Sem dúvida, erros nessa área representam uma das principais causas de autuação.

Conclusão Prática: O Que Você Deve Fazer a Partir de Agora

A Reforma Tributária não vai esperar sua empresa ficar pronta. Ela já está em movimento, e quem se antecipar terá vantagem competitiva real. Dessa forma, quem esperar, terá custos.

Então, estes são os pontos de ação que considero prioritários:

  • Realize uma auditoria nos cadastros fiscais de produtos e serviços.
  • Confirme se o seu ERP já atende às exigências do novo modelo.
  • Revise contratos de médio e longo prazo com cláusulas tributárias.
  • Mapeie sua cadeia de créditos tributários.
  • Oriente sua equipe contábil a acompanhar, semanalmente, as publicações normativas da transição.
  • Busque orientação especializada em Direito Tributário para avaliar riscos e oportunidades.

Por isso, a diferença entre o empresário que sobrevive e o que sucumbe nem sempre é a carga tributária, é a velocidade de reação.

Sua Empresa Não Precisa Enfrentar Essa Transição Sozinha

Se você sente que sua empresa precisa de uma análise tributária estratégica diante da Reforma, entre em contato com a minha equipe. São mais de 40 anos de atuação, cerca de 28 mil ações patrocinadas e mais de 1 bilhão de reais recuperados para contribuintes. Minha missão é garantir que você tome decisões informadas — e no tempo certo.
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