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Reforma Tributária: O Novo Sistema Tributário Vai Cobrar Uma Postura Diferente do Contador

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Em resumo: A Reforma Tributária, formalizada pela LC 214/2025 e pela EC 132/2023, não elimina o contador, mas elimina o modelo de contador que vive de navegar na complexidade. Com o IBS e a CBS simplificando o sistema a partir de 2026, quem não virar estrategista vai virar digitador qualificado.

Numa palestra em Ouro Preto, um empresário me fez uma pergunta que ficou ecoando pela sala: “Dr. Juvenil, se o sistema tributário ficar simples, o que o contador vai fazer da vida?” A plateia riu. Mas era a pergunta mais séria da noite.

O contador que sobrevive é o que entende que simplificação não é o fim do jogo, é o início de um jogo mais difícil.

O Que a Reforma Tributária Tira do Contador Tradicional?

A reforma tira o labirinto. E quem vivia de conhecer os atalhos do labirinto fica sem emprego quando as paredes caem.

Durante décadas, a complexidade do sistema tributário brasileiro foi, paradoxalmente, o maior ativo de muitos profissionais de contabilidade. Conhecer as peculiaridades do ICMS estado por estado, dominar as exceções do PIS/Cofins, navegar no ISS municipal, tudo isso tinha valor real. Era exatamente o que justificava honorários e garantia cadeira na mesa do empresário.

No entanto, a LC 214/2025, que regulamentou a EC 132/2023, criou o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) com uma lógica unificada e não cumulativa, válida em todo o território nacional. Atualmente, em 2026, a fase de testes já está em curso, sem cobrança efetiva, com caráter educativo, conforme o Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 1/2025. A partir de 2027, CBS e Imposto Seletivo entram em vigor. Entre 2029 e 2032, ICMS e ISS são reduzidos em 10% ao ano até desaparecer. Por fim, em 2033, o novo sistema está plenamente implementado.

Portanto, não se trata de uma reforma de alíquotas. Trata-se, sobretudo, de uma reforma de lógica. E quando a lógica muda, quem só memorizou as regras antigas fica para trás.

O Que o Software Já Faz, e o Que só o Estrategista Consegue?

O software já faz bastante. E com a reforma simplificando as regras, vai fazer cada vez mais.

Pesquisa recente com 1.500 usuários de uma plataforma contábil mostrou que as dúvidas dos contadores sobre IBS e CBS já são majoritariamente operacionais: qual campo preencher, qual alíquota aplicar, como configurar o cadastro do produto. Ou seja, isso não é trabalho estratégico, é trabalho de configuração de sistema.

À medida que as regras ficam uniformes e os softwares ficam mais inteligentes, a execução mecânica perde valor econômico com velocidade impressionante. O programa não cansa, não cobra 13º e não pede aumento. Além disso, faz o lançamento, calcula o crédito e gera o relatório.

O que o software não faz e nunca fará, é olhar para o empresário e dizer: “Sua empresa de serviços vai sentir um impacto brutal porque o ISS que você pagava entre 2% e 5% vai migrar para um IBS que pode chegar a 17,7%, conforme as projeções da transição prevista na LC 214/2025. Por isso, precisa repensar a precificação agora, não em 2033.”

Essa conversa exige contexto, experiência e coragem. Exige, em suma, um estrategista, não um operador.

Qual é a Postura Que o Contador Precisa Adotar Antes Que Seja Tarde?

A postura de quem oferece diagnóstico, não só declaração.

Em 43 anos de advocacia tributária, nunca vi uma empresa quebrar por ter planejado demais. Vi centenas quebrarem por ter planejado de menos, ou por ter trocado o planejamento pelo preenchimento correto de uma DCTF.

O profissional que vai se manter relevante nesse novo cenário é aquele que:

  • Entende os regimes diferenciados da LC 214/2025 para setores como serviços financeiros, cooperativas e imóveis, e principalmente, sabe traduzir isso em impacto real no fluxo de caixa do cliente
  • Avisa o empresário que seus incentivos fiscais estaduais de ICMS serão reduzidos proporcionalmente até 2032, conforme o §1º do art. 128 do ADCT da EC 132/2023, e assim propõe uma estratégia de transição antes que a conta chegue
  • Domina o split payment – isto é, o mecanismo pelo qual o imposto é retido automaticamente no momento do pagamento, antes de o dinheiro chegar na conta da empresa – e calcula o impacto no capital de giro antes que o cliente descubra no extrato
  • Usa 2026 como laboratório, não como sala de espera

A janela está aberta. A questão, portanto, é o que você vai fazer com ela.

Reflexão Final

Aristóteles dizia que a excelência não é um ato isolado, é um hábito. Sendo assim, o contador excelente não é o que acerta uma declaração difícil. É o que, ao longo do tempo, construiu o hábito de pensar como estrategista, não como executor.

A Reforma Tributária é um espelho. Ela não cria fraqueza, ela revela quem já era fraco. Revela, ainda, quem estava se sustentando na complexidade do sistema em vez de se sustentar na própria capacidade de pensar. Quando o ambiente muda, só sobrevive quem tem substância própria.

O planejamento tributário não é luxo. É sobrevivência com inteligência, e isso vale tanto para o empresário quanto para o profissional que o assessora.

A reforma não espera. O sistema de testes já está rodando e 2027 chega mais rápido do que parece. Portanto, se você é empresário e quer entender o impacto no seu negócio, ou se é contador e quer discutir como se reposicionar nesse novo cenário, Entre em contato comigo.

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