“Relacionamentos são investimentos como outros quaisquer: você dá para receber. Quanto mais você investe, mais você tem a perder.”
— Zygmunt Bauman, Amor Líquido, 2003
Bauman não era pessimista. Era preciso. Ele viu, antes de quase todos, que a modernidade líquida estava dissolvendo não apenas as instituições, mas os próprios vínculos afetivos. Numa cultura que glorifica a leveza, a mobilidade e a ausência de compromisso, o amor se torna mais uma experiência de consumo: intensa enquanto dura, descartável quando exige sacrifício.
Hoje reli esta frase e penso em empresas que tratam colaboradores como recursos intercambiáveis, e em líderes que evitam vínculos profundos com suas equipes por medo do custo emocional de eventual separação. Bauman diria: você não está se protegendo. Está se empobrecendo. A capacidade de liderar com profundidade nasce exatamente de onde vem a capacidade de amar com profundidade — da disposição de investir sabendo que há risco.
O vínculo que você não forma não pode ser perdido. Mas também não pode ser vivido.
Humanidades e Lideranças · Belo Horizonte, outubro de 2026 · juvenilalves.com.br