Da torre no Périgord aos Tupinambá do Brasil, Montaigne transformou a experiência de uma vida instável num exercício permanente de julgamento
por Juvenil Alves
Em poucas palavras: Michel de Montaigne (1533–1592) foi magistrado, prefeito de Bordeaux, escritor e mediador político durante as Guerras de Religião francesas. Nos Ensaios, deu forma decisiva a um gênero baseado na tentativa, na experiência e no exame de si. Sua divisa “Que sais-je?” — “Que sei eu?” — não significa que toda verdade seja impossível, mas expõe os limites do julgamento humano. Este texto acompanha sua educação em latim, a amizade com La Boétie, o capítulo sobre os Tupinambá do Brasil, o trabalho editorial de Marie de Gournay e a filosofia do corpo e da experiência. Para Juvenil Alves, o legado mais atual de Montaigne está na disciplina de distinguir convicção de conhecimento antes que a certeza se converta em violência.
Foi num fim de tarde cinzento, na sala mal iluminada do segundo andar da PUC Minas, que Montaigne me encontrou pela primeira vez. O professor, um jesuíta de voz baixa e olhos cansados, abriu o volume dos Essais como quem abre uma ferida antiga e leu, sem pressa, a frase que ainda ecoa: “Que sais-je?”. Eu, que vinha de anos de certezas seminais e de uma teologia ainda rígida, senti o chão se mover. Nas semanas seguintes, li Montaigne quase às escondidas, entre as páginas de Tomás e de Agostinho, e descobri que aquele senhor de torre, que falava de seus rins, de seus gatos e de sua morte com a mesma naturalidade com que falava da amizade e da vaidade humana, estava me ensinando a duvidar sem perder a fé. Foi ali, naquele curso de Filosofia, que aprendi que a sabedoria talvez não esteja em possuir respostas, mas em ousar permanecer diante da própria ignorância com a honestidade de quem se olha no espelho e ainda assim continua a escrever.
A torre do Périgord
Em 1571, no dia em que completava 38 anos, Montaigne registrou numa parede do gabinete anexo à biblioteca de sua torre a decisão de se afastar dos tribunais e dos encargos públicos e dedicar o tempo restante à liberdade, à tranquilidade e ao estudo. Nas vigas da biblioteca, mandou pintar máximas gregas e latinas. Entre livros, inscrições e janelas abertas para a propriedade, começou a dar forma ao que chamaria de essais: tentativas de pôr o próprio julgamento à prova.
A lenda do eremita filósofo que ele mesmo cultivou não corresponde à biografia inteira. Mesmo depois da retirada, Montaigne continuou a administrar suas terras, viajar, exercer dois mandatos como prefeito de Bordeaux e atuar, em momentos distintos, como intermediário entre campos políticos e religiosos rivais durante as Guerras de Religião. Seu segundo mandato coincidiu com a grave epidemia de 1585, e sua relação com a cidade durante esse período foi objeto de crítica e de defesa historiográfica. O texto dos Ensaios nasceu nesse ambiente de instabilidade, não à sua margem.
O que Montaigne chamou de ensaio?
Montaigne não criou a escrita breve sem antecedentes, mas deu ao ensaio seu nome, sua forma decisiva e um projeto singular: usar a própria experiência como laboratório do julgamento. A palavra francesa essai conserva o sentido de provar, experimentar e exercitar. Cada capítulo submete o julgamento do autor a temas distintos — amizade, educação, medo, crueldade, animais, costumes, doença, morte, experiência. Não há sistema fechado. Há um livro em movimento.
Os editores costumam distinguir um primeiro estado ligado às edições de 1580 e 1582, um segundo estado consolidado em 1588 e os acréscimos feitos por Montaigne entre 1588 e sua morte. Parte dessas intervenções aparece no Exemplar de Bordeaux; a edição póstuma de 1595, preparada por Marie de Gournay, transmite um texto próximo, mas não idêntico. Montaigne reescrevia a si mesmo com a mesma franqueza com que escrevia sobre si mesmo.
Como a educação em latim e os tribunais formaram seu julgamento?
A educação de Montaigne foi um experimento humanista radical conduzido por seu pai, Pierre Eyquem. Desde os primeiros anos, um preceptor germanófono conviveu exclusivamente com ele; o latim tornou-se sua primeira língua de formação, não como disciplina, mas como idioma vivo. Ao entrar no Collège de Guyenne em Bordeaux, já lia os clássicos.
Nos Ensaios, Montaigne critica a pedagogia apoiada em coerção e memorização sem entendimento — sem que isso autorize resumir toda a experiência no Collège como negativa. A distinção que importa é entre erudição e juízo: “Saber de cor não é saber: é reter aquilo que foi dado à guarda da própria memória” (I, 26).
A formação jurídica exata de Montaigne permanece incerta. O que a documentação permite afirmar é que atuou na Cour des Aides de Périgueux e depois no Parlement de Bordeaux. Como jurista, leio sua desconfiança também à luz do tribunal. Montaigne viveu num sistema em que a tortura podia produzir confissões e em que o julgador precisava decidir sob incerteza. Não se pode reduzir seu ceticismo à carreira judicial, mas essa experiência torna ainda mais concreta sua pergunta sobre os limites do julgamento humano.
Quem foi La Boétie para Montaigne?
Por volta de 1557 ou 1558, no ambiente do Parlement de Bordeaux, Montaigne conheceu Étienne de La Boétie — jurista, poeta e autor do Discurso da Servidão Voluntária, texto que perguntava por que os povos obedecem a tiranos que dependem deles para existir.
A morte de La Boétie, em 1563, foi uma perda decisiva. Montaigne registrou os últimos dias do amigo e transformou a relação em matéria do capítulo “Da amizade” (I, 28). O texto não é relatório neutro: é também construção literária, diálogo com os modelos clássicos de amizade e elaboração da ausência. A frase que ficou — “Se me pressionam para dizer por que o amava, sinto que isso não pode ser expresso a não ser respondendo: porque era ele, porque era eu” — pertence tanto à filosofia quanto à história das revisões do próprio texto.
Montaigne chegou a imaginar o Discurso da Servidão Voluntária no centro do Livro I. Depois que o texto passou a circular em ambientes de oposição política e religiosa à monarquia, preferiu não integrá-lo aos Ensaios. A decisão envolveu prudência política, controle da memória do amigo e disputa sobre o sentido da obra.
O que significa “Que sais-je?”?
Por volta de 1576, Montaigne associou a uma medalha pessoal a balança e a divisa Que sais-je? A fórmula dialoga com o ceticismo antigo, especialmente com Sexto Empírico, mas não deve ser reduzida a uma recusa de decidir. Montaigne suspende a pretensão de certeza absoluta enquanto continua a exercer o julgamento no terreno concreto da vida.
A dúvida de Montaigne não é abdicação da verdade. É uma disciplina do julgamento: a consciência de que convicções humanas, quando esquecem seus próprios limites, podem converter-se em crueldade. Num país onde católicos e huguenotes se matavam em nome de certezas teológicas — onde o Massacre de São Bartolomeu, em 1572, havia deixado milhares de mortos em Paris numa única noite —, o homem que dizia “não sei” não tinha o mesmo motivo para queimar o semelhante.
O ensaio mais extenso de toda a obra, a “Apologia de Raimond Sebond” (II, 12), responde às objeções dirigidas à teologia natural que Montaigne havia traduzido a pedido do pai. Sua defesa toma um caminho desconcertante: ataca a presunção humana, compara sistemas filosóficos incompatíveis e mostra a fragilidade da razão quando pretende dominar sozinha as questões últimas. É por isso que o capítulo admite leituras tão diferentes, do fideísmo ao ceticismo cristão.
“Afinal, é colocar as próprias conjecturas a um preço bem alto assar um homem vivo por causa delas” — escreve ele em III, 11, no contexto das acusações de feitiçaria e da fragilidade dos testemunhos. A frase foi escrita em 1588.
Montaigne era cético e católico?
A V1 secularizou excessivamente Montaigne. Ele permaneceu católico num século de guerras confessionais, mas sua relação entre fé e razão é objeto de debate. Há leituras fideístas, leituras de ceticismo cristão e interpretações que veem na Apologia uma crítica mais ampla à presunção humana. A dúvida de Montaigne não é equivalente ao ateísmo moderno, e apresentá-lo assim apaga a tensão real que constitui boa parte de sua força.
O que Montaigne escreveu sobre os Tupinambá do Brasil?
Em “Dos Canibais” (I, 31), Montaigne afirma ter conversado, por meio de um intérprete que considerou insuficiente, com um dos homens do Brasil levados à presença de Carlos IX. A historiografia discute onde e em que circunstâncias esse encontro ocorreu. O capítulo combina relatos de viagem, informações orais e modelos clássicos; por isso, não deve ser lido como transcrição etnográfica direta.
Montaigne não oferece uma descrição neutra dos Tupinambá. Ele seleciona e idealiza certos traços para inverter o julgamento europeu de barbárie. O valor do capítulo está menos em antecipar a antropologia moderna do que em obrigar a Europa a confrontar a própria crueldade. “Cada qual chama de barbárie aquilo que não é de seu uso” (I, 31). O capítulo tornou-se referência para debates posteriores sobre etnocentrismo e relatividade dos costumes, sem que Montaigne possa ser convertido, sem ressalvas, em antropólogo ou relativista moderno.
A tradução inglesa dos Ensaios por John Florio, publicada em 1603, tornou Montaigne disponível ao público inglês. A fala do conselheiro Gonzalo em A Tempestade reutiliza de modo reconhecível passagens de “Dos Canibais” — uma das relações intertextuais mais documentadas da recepção de Montaigne.
Quem foi Marie de Gournay e como os Ensaios chegaram até nós?
Em 1588, em Paris, Montaigne conheceu Marie de Gournay, escritora e intelectual que havia lido os Ensaios com intensidade. Ele a chamaria de filha de aliança.
Depois da morte de Montaigne, em setembro de 1592, Marie de Gournay preparou a edição póstuma de 1595 — trabalho hoje reconhecido como central para a transmissão dos Ensaios. O texto de 1595 não coincide inteiramente com o Exemplar de Bordeaux, o que alimentou um longo debate filológico. Estudos recentes reavaliaram a competência editorial de Gournay e mostraram que parte da desconfiança dirigida a ela foi atravessada por preconceitos de gênero. A relação exata entre as fontes de que dispôs e o texto impresso permanece questão filológica relevante.
Como o corpo e a doença mudaram sua filosofia?
A partir de 1578, a cólica nefrética dominou a existência corporal de Montaigne. Ele a descreve com uma franqueza que desconcerta: as dores, os hábitos, a desconfiança dos médicos, os hábitos à mesa.
Muitos intérpretes identificam nos Ensaios um deslocamento de ênfases: da preparação estoica para a morte ao exame cético do julgamento e, por fim, à valorização da experiência particular. Essa leitura ajuda a organizar a obra, mas não transforma um livro continuamente reescrito numa sequência de fases perfeitamente separadas.
Agostinho e Montaigne transformaram a primeira pessoa em matéria de pensamento, mas com projetos distintos. Nas Confissões, a interioridade se dirige a Deus e se compreende diante da graça. Nos Ensaios, Montaigne observa a variação do julgamento, dos hábitos e do corpo. A comparação é fecunda desde que não apague a permanência de Montaigne no horizonte católico de seu tempo. No último capítulo, “Da experiência” (III, 13), ele não declara inútil todo saber abstrato: contesta a pretensão de regras universais que ignoram o corpo, o hábito e a singularidade das situações. E termina com a frase que guardo: “É uma perfeição absoluta, e quase divina, saber gozar lealmente do próprio ser” (III, 13).
Como Pascal, Nietzsche e a psicanálise leram Montaigne?
Pascal reconheceu em Montaigne uma crítica poderosa à presunção da razão, mas julgou insuficiente sua resposta à miséria e à grandeza humanas. Sua leitura é simultaneamente dependente e adversarial: Montaigne fornece o diagnóstico cético que Pascal tenta reordenar dentro da teologia cristã. “O tolo projeto que ele tem de se pintar!” — mas Pascal não parou de ler.
Nietzsche viu em Montaigne um espírito livre, capaz de tornar a vida mais habitável pela conversa, pela honestidade e pela independência de julgamento. A afinidade é real; não transforma Montaigne em precursor integral do projeto nietzschiano.
Montaigne não é precursor da psicanálise em sentido histórico ou metodológico. A aproximação é retrospectiva: seus textos mostram um eu instável, contraditório e nem sempre transparente para si — temas que leitores posteriores podem colocar em diálogo com Freud e com a tradição psicanalítica. Trata-se de afinidade temática, não de genealogia direta.
Um leitor de Paul Ricoeur pode aproximar a escrita móvel de Montaigne da ideia de identidade narrativa: o eu não como substância imóvel, mas como história que se conta, se corrige e se reinterpreta. É um diálogo posterior, não uma influência.
Por que ler Montaigne hoje?
Montaigne não oferece uma teoria das redes sociais nem uma solução pronta para a polarização contemporânea. Oferece algo anterior: o hábito de testar a própria convicção, comparar costumes e desconfiar da facilidade com que o julgamento se confunde com verdade.
“Cada homem traz em si a forma inteira da condição humana” (III, 2). Essa frase, ao mesmo tempo humilde e ambiciosa, propõe que o menor dos homens ordinários, examinado com atenção, contém tudo o que há de universal no humano.
Montaigne não nos ensina a desistir da verdade. Ensina a desconfiar da velocidade com que chamamos de verdade aquilo que ainda é convicção. Num tempo de certezas ruidosas, talvez a pergunta “Que sei eu?” não seja fraqueza. Talvez seja o começo da responsabilidade.
Pontos principais
- A tese deste ensaio: a dúvida de Montaigne não é abdicação da verdade — é uma disciplina do julgamento. A consciência de que convicções humanas, quando esquecem seus próprios limites, podem converter-se em crueldade.
- Os Ensaios são um livro em movimento, estratificado em camadas que os editores distinguem a partir de 1580, 1588 e dos acréscimos posteriores transmitidos pelo Exemplar de Bordeaux e pela edição póstuma de 1595, preparada por Marie de Gournay.
- O encontro com La Boétie, a cólica nefrética e as Guerras de Religião são os três motores biográficos mais visíveis dos Ensaios: a perda do amigo, a experiência do corpo que dói e a crueldade dos contemporâneos moldam a escrita de dentro.
- “Dos Canibais” usa os Tupinambá do Brasil para obrigar a Europa a confrontar a própria crueldade — não como antecipação da antropologia moderna, mas como inversão do julgamento europeu de barbárie. Influenciou documentadamente Shakespeare.
Perguntas frequentes
Quem foi Michel de Montaigne? Michel de Montaigne foi um escritor, magistrado e homem público francês do Renascimento. Viveu entre 1533 e 1592, exerceu cargos judiciais em Bordeaux, serviu dois mandatos como prefeito e escreveu os Ensaios — obra em que transformou a experiência pessoal, a leitura dos antigos e a observação dos costumes num exercício de julgamento.
O que são os Ensaios de Montaigne? São três livros que Montaigne escreveu, publicou e ampliou durante mais de vinte anos. A palavra essai significa tentativa. Cada capítulo põe o julgamento do autor à prova diante de temas como amizade, educação, crueldade, corpo, religião, morte e experiência. Não formam um sistema: são um livro em movimento.
Montaigne inventou o ensaio? Montaigne não criou a escrita breve sem antecedentes, mas deu ao ensaio seu nome, sua forma decisiva e um projeto singular: usar a própria experiência como laboratório do julgamento. A influência dessa forma sobre a literatura ocidental é documentada e extensa.
O que significa “Que sais-je?”? “Que sais-je?” significa “Que sei eu?”. Montaigne associou a divisa a uma medalha pessoal por volta de 1576. A pergunta dialoga com o ceticismo antigo, mas não afirma que nada possa ser conhecido: lembra que o julgamento humano é limitado, variável e influenciado pelos costumes.
Montaigne era cético ou católico? Os dois. Montaigne permaneceu católico num século de guerras confessionais, mas sua relação entre fé e razão é objeto de debate — há leituras fideístas, de ceticismo cristão e de crítica mais ampla à presunção humana. A dúvida de Montaigne não equivale ao ateísmo moderno.
Quem foi Étienne de La Boétie? Foi jurista, poeta e autor do Discurso da Servidão Voluntária. Montaigne o conheceu por volta de 1557 ou 1558 no Parlement de Bordeaux. La Boétie morreu em 1563, com trinta e dois anos. A amizade com ele moldou a afetividade e a escrita dos Ensaios, e o capítulo “Da amizade” (I, 28) é ao mesmo tempo memória e construção literária.
O que Montaigne escreveu sobre o Brasil? Em “Dos Canibais” (I, 31), Montaigne usa informações sobre os Tupinambá para inverter o julgamento europeu de barbárie. O capítulo não é etnografia moderna: combina relatos de viagem, informações orais e modelos clássicos para comparar a antropofagia ritual com a crueldade das guerras religiosas francesas.
Quem foi Marie de Gournay? Escritora e editora chamada por Montaigne de “filha de aliança”. Após a morte de Montaigne, preparou a edição póstuma de 1595, hoje reconhecida como central para a transmissão dos Ensaios. Estudos recentes mostraram que parte da desconfiança dirigida a ela foi atravessada por preconceitos de gênero; a relação entre a edição de 1595 e o Exemplar de Bordeaux permanece questão filológica relevante.
Montaigne influenciou Shakespeare? Sim. A tradução inglesa dos Ensaios por John Florio, publicada em 1603, tornou Montaigne disponível ao público inglês. A fala do conselheiro Gonzalo em A Tempestade reutiliza de modo reconhecível passagens de “Dos Canibais” — uma das relações intertextuais mais documentadas da recepção de Montaigne.
Por que ler Montaigne hoje? Porque Montaigne oferece o hábito de testar a própria convicção e desconfiar da facilidade com que o julgamento se confunde com verdade. Não resolve a polarização contemporânea — oferece algo anterior: a disciplina de distinguir convicção de conhecimento antes que a certeza se converta em violência.
Juvenil Alves Ferreira Filho Jurista · Teólogo · Filósofo · Psicanalista · Escritor
Humanidades e Liderança · Belo Horizonte, agosto de 2026 · juvenilalves.com.br
Leituras e fontes: Michel de Montaigne, Os Ensaios, trad. Rosemary Costhek Abílio (Martins Fontes); edição crítica Gallimard/Pléiade 2007, org. Jean Balsamo, Michel Magnien e Catherine Magnien-Simonin; edição PUF/Villey-Saulnier 1965 · Sarah Bakewell, Como Viver: Uma vida de Montaigne em uma pergunta e 20 tentativas de resposta (Zahar) · Jean Starobinski, Montaigne em Movimento (Cia. das Letras) · Philippe Desan, Montaigne: Uma biografia política (Edusp) · Stanford Encyclopedia of Philosophy, verbete “Michel de Montaigne” (revisão ago. 2026) · Étienne de La Boétie, Discurso da Servidão Voluntária · Blaise Pascal, Pensamentos · Friedrich Nietzsche, Considerações Extemporâneas, II.